segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O fim.

Hoje eu descobri que estou na última encarnação. Segundo os “especialistas”, peixes, o meu signo, é o da última reencarnação, quem está nele não encarna mais. Depois de 11 vidas passeando pelo mundo, chegou a última, chegou a vez de se despedir e ir embora.

Eu nunca fui mística e nunca acreditei em signos, nem mesmo quando eu era criança. Sempre fui muito incrédula a respeito de tudo e continuo não acreditando no poder dos astros de influenciar a minha vida e personalidade, no entanto, essa história de última encarnação mexeu comigo.

A visão racional e materialista da vida diz que nós só temos uma e devemos aproveitá-la ao máximo, porque depois da morte não vem nem inferno nem paraíso, vem o fim eterno. Eu já estou mais do que acostumada com essa visão e concordo que devemos valorizar essa existência, afinal ninguém garante que teremos outras, isso não me incomoda em nada. Porém, saber que mesmo na visão mística e espiritual da vida eu não terei outra chance de voltar é um pouco… angustiante.

Eu posso optar tanto pelo ateísmo quanto pelo misticismo que estarei no fim, é a minha última oportunidade de viver como eu realmente quero. Isso liberta e ao mesmo tempo assusta.

De certa forma eu sempre fui meio “anárquica”, quando criança eu jogava futebol na rua com os meninos mesmo sabendo que o resto do bairro me achava lésbica por isso. Na escola eu matei um milhão de aulas que não me interessavam e nunca faltei nas que gostava. Há dois meses eu larguei meu emprego – de uma forma um tanto quanto dramática - porque não gostava do que eu fazia. Mas eu seria hipócrita se dissesse que não me arrependo de nada, como já falei nesse blog algumas vezes, eu me arrependo muito de não ter dito a algumas pessoas o valor que elas têm ou de ter fugido de alguma situação por covardia. E justamente por isso, a cada dia, eu reforço mais em mim o pensamento de que não há nada no mundo que tenha o valor do meu tempo. Não tem dinheiro que compre uma tarde de sábado ou imagem a zelar que valha abrir mão de fazer o que gosto.

Tudo isso pode parecer meio hedonista e individualista e é mesmo. Claro que eu me preocupo com o futuro da humanidade e com os diversos problemas do mundo, mas no âmbito pessoal eu me preocupo com a minha vida e a cada dia tento diminuir um pouco mais a preocupação que eu tenho com a opinião dos outros, preocupação essa que não me impede de fazer o que quero mas as vezes faz sofrer.

E isso tudo me faz lembrar do Steve Jobs. Não, eu nunca fui fã dele e nem tenho nenhum produto da Apple. O que eu sabia de sua vida era apenas que ele fundou a Apple e tinha pais adotivos. E quando ele morreu eu achei chato, mas nada que tenha me abalado emocionalmente, entretanto, teve uma coisa que me chamou a atenção: a paz com que ele aparenta ter ido embora. Lendo seus discursos, ele parecia encarar a morte de uma maneira realista e de ter aceitado numa boa que uma hora teria de partir. Ele viveu, fez o que tinha de fazer e foi embora tranquilamente. Como eu vi em um filme ontem, a vida é uma montanha-russa e nós podemos aproveitar a viagem, ou nos desesperar a cada descida. O Steve Jobs parece ter aproveitado a viagem dele, eu quero aproveitar a minha. Afinal, com ou sem esoterismo, essa é a minha última volta.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Vai trabalhar, vagabundo!

Tem coisas que a gente até entende a parte teórica mas só sabe exatamente como é quando passa por isso na pele. Tem uma música do Chico Buarque que diz:

“Tenta pensar no futuro
No escuro tenta pensar
Vai renovar teu seguro
Vai caducar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar”

Eu sempre entendi que ele queria dizer que o indivíduo que trabalha não tem tempo pra pensar de verdade e por isso o Brasil vive nessa mediocridade eterna. No entanto, só depois que eu trabalhei – por pouco tempo, mas trabalhei – é que pude entender e formar uma opinião melhor sobre isso.

É claro que o trabalho “mecânico”, repetitivo (lembre-se das aulas de sociologia aonde o professor passava a exaustão a cena de Charles Chaplin sendo engolido pela máquina em "Tempos Modernos”), deixa a pessoa com a cabeça tão cheia que refletir sobre a filosofia da estrutura pedagógica e social do ensino base brasileiro fica fora de questão, mas dizer que o trabalho e a revolução industrial é a única responsável por todos os nossos problemas é um exagero (e eu tenho certeza que o Chico sabe disso). É uma mistura de tudo. Educação ruim, falta de estrutura financeira e familiar (quantas pessoas “sem pai” ou com famílias problemáticas você conhece?), e trabalhos emburrecedores contribuem em conjunto para a situação atual não só dos brasileiros, mas do mundo, culpar só a estrutura escravagista trabalhista é besteira, porém, ao viver novamente no ócio, não tem como eu negar que cabeça vazia é oficina do diabo todo este tempo livre me faz refletir sobre tudo e mais um pouco – das maiores besteiras às grandes questões da humanidade. Em apenas três dias eu já criei preocupações inúteis, escrevi algumas vezes neste blog, enfim, coisas que só a disponibilidade pode trazer. É por isso que muitos dos grandes artistas e pensadores eram “vagabundos” – não que eu esteja me comparando a nenhuma deles, óbvio – pois só o tempo livre é capaz de fazer alguém criar alguma obra prima, ou a fazer uma grande besteira. Aí depende do nível de QI e do caráter do inútil em questão.

'”Então você vai abrir mão da vida trabalhista pra ficar atoa em casa?” Não, eu gostei de trabalhar, só não gostei do trabalho que eu fazia. Na verdade, o que deixa a pessoa meio não-pensante não é nem o ato de trabalhar, e sim o exercício diário de paciência para sobreviver a um emprego insuportável e totalmente insatisfatório. O estresse causado é tão grande que paralisa. Mas quem ama o que faz, esses continuam produtivos pois criam encima dele, dão o seu melhor, se sentem completos por fazer o que fazem. O que caduca e estraga o homem não é o esforço físico e nem o intelectual, e sim o esforço mental de passar a vida esperando a sexta-feira chegar.

domingo, 28 de agosto de 2011

País rico é país sem pobreza!

Uma das frases mais esculhambadas da atual presidentE do Brasil é: “País rico é país sem pobreza”. Devido a aparente obviedade da coisa, todo mundo adora bater na inteligência da Dilma usando essa frase como prova de sua duvidosa capacidade intelectual. Eu, nem de longe, sou fã dela, mas sou obrigada a admitir que, por mais que pareça, essa frase não é tão redundante assim – ela já disse coisa muito pior.

“Mas Gabriela, é óbvio e ululante que um lugar rico não tem pobreza!” É aí que você se engana, jovem Padawan. Um bom exemplo de que, economicamente falando, essa não é uma relação verdadeira, é a China.

A China é o segundo país mais rico do mundo. Alguém realmente acha que lá é uma região sem pobreza? que todos os chineses ganham salários absurdos e vivem que nem marajás?

Os EUA também são um bom exemplo. Apesar de a população em geral ter um poder aquisitivo alto em relação ao Brasil, dizer que quem habita os guetos de Nova York é rico é forçar um pouco a barra.

Atualmente muitas das listas dos países mais ricos do mundo leva em consideração o PIB per capita, que é a riqueza total do país dividida pela população. A medida parece ótima, no entanto, ela não avalia a desigualdade social. Muitos países árabes tem um PIB obsceno graças a produção de petróleo e uma população minúscula, o que os deixa em ótimas posições nos rankings de riqueza global, o que ninguém leva em conta é que esse dinheiro fica todo nas mãos dos reis e sheiks enquanto a população mal tem o que comer. Enquanto isso, a Noruega, que tem um dos melhores índices de qualidade de vida e igualdade social do mundo não está nem no Top 20 mais ricos.

Acho que já deu pra perceber que quando a Dilma diz que país rico é país sem pobreza, ela não se refere apenas a um PIB absurdo e sim a um país onde todo mundo tenha acesso a uma fatia considerável do bolo, mesmo que ele não seja o maior do mundo. Ela se refere a uma riqueza norueguesa e não chinesa. Cabe a nós decidir, através do voto e do nosso próprio esforço (levantar a bunda da cadeira pra estudar e trabalhar é o mínimo que podemos fazer) decidir qual caminho vamos seguir. Espero que seja o norueguês.

Planeta dos macacos

Antes de demitir o trabalho da minha vida, eu passava o tempo entre o início do expediente e o fim das aulas no parque da Água Branca. Um dos lugares mais legais de São Paulo e que, antes de conhecer, eu não esperava que existisse. Se trata de um parque cheio de galinhas, pavões, patos, peixes e toda fauna e flora que se puder imaginar encrustado no meio de uma avenida super movimentada, um shopping, 2 agências bancárias, um hipermercado, um museu e o maior campus particular universitário da América Latina (eu disse o maior, não o melhor). E na última vez em que fui lá eu vi nada mais, nada menos, que dois macacos pregos – pelo menos eu acho que eram macacos pregos.

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Bonitinhos né? Pena que eu não consegui tirar uma foto de “rosto”.

Mas o parque da Água Branca teve uma função vital em minha vida (além de surrealizar o meu dia com a presença de macacos): eu perdi o meu medo de galinhas. Sim, eu morria de medo de galinhas, mesmo tendo passado parte da infância perto delas, e agora eu consigo até dar Ruffles de yakissoba pra elas (só tive que ignorar a placa de “não alimente os animais” que estava bem na minha frente). Não que perder o medo de galinhas seja algo de extrema importância para a minha sobrevivência, mas pelo menos eu posso dizer que já superei um grande trauma.

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sábado, 27 de agosto de 2011

Te demito da minha vida!

Pois é, hoje eu decidi que é a hora de demitir a empresa na qual eu trabalho da minha vida. Vou pedir pra sair. This is the end, my friend.

Foi bom enquanto durou, comprei tudo o que eu precisava, comi tudo o que eu queria, ganhei experiência de vida e me sinto uma pessoa melhor agora. Tudo bem que o final poderia ter sido mais digno, sair de lá de uma hora pra outra a ponto de ter um surto não pegou bem, mas foda-se, ao invés de passar o dia trancada em uma sala, eu roubei T. de seu simulado e fomos comer uma bomba gigante de chocolate e beber uma Heineken (aqui cabe a observação que essa foi a primeira vez em que ela tomou cerveja na vida!). To me sentindo mais leve, mais feliz, mais pobre… dinheiro pra que? não vale a pena perder momentos preciosos da vida (e minha saúde) me estressando sem necessidade. É, eu disse sem necessidade. Sou solteira, sem filhos, moro com meus pais e graças a muito esforço e trabalho meu pai ganha o suficiente pra sustentar todo mundo, não somos ricos mas não estou passando fome.

Vou voltar a ser vagal, viverei de vento e luz, e um dia eu volto a trabalhar. Por enquanto, o capitalismo está fora da minha rotina. Por enquanto.

domingo, 31 de julho de 2011

Pra não dizer que não falei das flores…

Certa vez eu escrevi em algum lugar que estou sempre com uma quedinha por alguém, e isso é verdade, vira e mexe eu acho um ser “casável” andando por aí.
Também já confessei a T. que, apesar de nunca ter me apaixonado perdidamente por alguém, paixonites fazem parte da minha realidade. Vira e mexe eu acho um ser mais “casável” do que a média.

Mas dessa vez é diferente. Dessa vez eu não preciso mudar, ou fingir, ou sonhar pra achar que tenho uma chance. Eu fui simplesmente eu e foi o suficiente. Como eu disse a T., ele sou eu de calças. Eu entendo as referências, as citações, as piadinhas,  porque elas fazem parte do meu dia-a-dia. Podemos ser amigos para o resto da vida.

Claro que as paixonites e quedinhas continuam, só no meu trabalho tem dois altamente interessantes. No entanto, eles são só diversão. Com o outro é mais sério porque é possível. E foi espontâneo, ninguém precisou me dizer ou insinuar que nós nos daríamos bem juntos pra que eu chegasse a essa conclusão, não foi induzido, foi natural.
Eu tenho a sensação de que podemos conversar horas e horas e horas sem parar. Mas tenho medo de me empolgar demais e acabar misturando as coisas.

É estranho, tenho que esperar pra ver o que acontece. A pressa é inimiga da razão e me jogar num mar de falsos sentimentos não vai me servir pra nada e talvez me faça perder uma possível grande amizade. De novo.

Ah, mas como eu quero…

The lunatic is in my head.

Pink Floyd é tão bom que me emociona. Eu estava ouvindo o Dark Side of the Moon e é incrível pensar que seres humanos criaram aquilo, que fomos tão longe.

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Pare e escute este álbum com atenção, perceba o clima, a magia, por trás dele. Os teclados do Rick Wright dão um tom único, que eu nunca mais achei em álbum nenhum. Um clima quase circense, que leva a alma pra longe, faz viajar, flutuar, é uma sensação tão única quanto indescritível o que esse CD faz comigo.

Não é um álbum que eu escuto todo dia, a qualquer hora, porque ele não é apenas um conjunto de músicas legais, ele é todo um momento de 42 minutos e 30 segundos que merece ser vivido com atenção. A dor, o desespero, a loucura nele contida é um soco no estômago.

Eu tive um professor de literatura que dizia que quem não conhecia Florbela Espanca ainda não viveu. E eu digo que quem nunca ouviu The Dark Side of the Moon ainda não sabe o que é viver. Porque isso é genial, isso foi um grupo de caras indo além, se superando e criando algo que nem eles mesmo deviam imaginar o quão grande é.

A sequência Time/The Great Gig in the Sky é de uma sensibilidade gigante e ao mesmo tempo é um grito (literalmente) de socorro. Enquanto na primeira música se constata todo o tempo e a vida jogada fora por nada, na segunda isso tudo explode, é como se o personagem principal entrasse em surto ao perceber o vazio de tudo o que vive e tentasse colocar isso pra fora gritando, berrando, se libertando. E aí vem o dinheiro, o mesmo dinheiro que me deixa feliz por ter uma caneca do Calvin e que destrói nações inteiras. O dinheiro que move a sociedade. E tudo isso eclode em Any Colour You Like e vai desembocar em Brain Damage/Eclipse, ou seja, na loucura, na esquizofrenia, na alienação da mente em relação a realidade. Seria esse o nosso futuro? se desligar da realidade pra não ver o absurdo que ela é? Não sei, mas dói pensar que vivo em um mundo assim. Dói pensar na minha própria vida porque me faz pensar no meu futuro e eu tenho medo dele. Medo de me tornar tudo o que não quero pelas “obrigações” da vida, de postergar os meus sonhos por causa de trabalho, filhos, casamento e acabar não vivendo. E então é hora de ouvir Time de novo.

É um luxo meu amor!

Esses dias eu estava pensando: como eu fico feliz com pequenas bobagens (ou pequenos luxos).

Tem duas coisas que me deixam feliz pelo simples fato de que eu as possuo, e não é um carro 0km ou um colar de diamante, é a minha caneca do Calvin & Haroldo e o meu cartão de memória de 8 GB. Como é bom ter uma caneca do Calvin e um cartão de 8 GB!

Eu me sinto bem só de pensar nesses dois objetos. Só de imaginar que eu posso colocar trocentos CDs no meu celular sem me preocupar com a memória meu dia se alegra. E pensar nisso bebendo qualquer coisa na minha caneca deixa tudo ainda mais bonito.

Parece besteira, eu sei. Parece materialismo, eu sei. Mas eu tenho um apego desgraçado a esses dois objetos. T. sabe o quanto eu sou fã de Calvin & Haroldo e ter um pedacinho deles comigo me faz bem, apesar de eu já ter a caneca a um bom tempo, ainda fico toda boba ao olhar pra ela e ver como é linda, sem contar que eu sonho em ter algo deles há tempos e ela é a realização desse sonho. Eu tenho orgulho dela! (Comunistas entram em desespero após constatar o meu grau de apego a um simples bem material neste momento).

E o cartão de memória me faz feliz porque ele carrega outras coisas que me fazem feliz: minhas músicas! minhas amadas músicas! Nem preciso explicar porque gosto tanto dele.

E esses são os meus dois grandes pequenos luxos. As duas besteiras que fazem o meu dia mais ensolarado. Por mais que eu seja contra qualquer tipo de apego a objetos e marcas, um pouquinho de materialismo não faz mal a ninguém.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Freud explica?

Esses dias eu vi “Na natureza selvagem”, um filmaço dirigido pelo Sean Pean e estrelado por Emile Hirsch.

Ele conta a história de Christopher McCandless, um garoto que após se formar na faculdade larga tudo para ir em uma viagem rumo ao Alaska. Ele vai sem dinheiro, sem mapa e sem planos, apenas com vontade de se isolar do mundo e conhecer a si próprio.

O filme é cheio de frases filosóficas sobre a vida, a sociedade, o sistema. Sobre como as pessoas mentem, mudam por dinheiro, vivem farsas só para parecem bem para os vizinhos.

E isso me lembra da novela O Astro, onde o personagem filho de Salomão Hayala, um empresário podre de rico, fez um belo discurso sobre tudo o que eu disse acima e também saiu de casa para viver uma vida mais simples, com felicidades verdadeiras, não sujeitas a quanto dinheiro ele tem no bolso.

E essas duas histórias tem algo mais em comum: ambos os personagens se sentem maltratados pelos pais. Sentem falta de carinho, de atenção. Presenciaram brigas na infância, o pai maltratando a mãe, que ora batia de volta, ora se deixava subjugar pelo esposo. Ambos tinham muito dinheiro e tudo para se tornarem grandes empresários e levarem a vida dos sonhos de todo mundo, mas preferiram abrir mão disso tudo por algo maior: a verdade.

Muitas histórias de rebeldia existem por aí, principalmente no mundo da arte. E quantos músicos, escritores, artistas plásticos, filósofos e revolucionários não tiveram uma juventude conturbada?

E tudo isso me levar a pensar o seguinte: no final das contas, é tudo culpa dos nossos pais? A rebeldia dos dois personagens que citei não era contra o “sistema”, o “capitalismo” ou a “sociedade”, como eles dizem ser. A rebeldia deles nasceu do sentimento de rejeição de seus pais, da raiva pelo comportamento agressivo, frio, de quem os devia proteger e cuidar. E esse padrão se repete em várias histórias de pessoas que largaram tudo para viver de uma maneira diferente.

Uns não tiveram pai, e se sentem abandonados, outros foram abusados, agredidos, mal amados.

Então qual é a realidade dessa pose revolucionária, se, na verdade, se trata apenas de uma questão particular, de amor paterno? será que Christopher McCandless teria saído de casa se tivesse uma família bem estruturada? será que Janis Joplin cantaria com a emoção que cantou se tivesse recebido a atenção que queria de seus pais? será que Salvador Dalí seria tão “excêntrico” se não tivesse passado toda a sua infância sendo comparado a um irmão, de mesmo nome, morto antes dele nascer? Ou será que todas essas pessoas já nasceram com algo dentro delas, que , independentemente do tratamento que tivessem, uma hora teriam saído do ninho para se jogar no mundo? Difícil dizer.

Certa vez estava conversando com T. e ela disse que achava que seus pais a haviam influenciado muito pouco. Eu não a conheci na infância e não tenho como saber. E também acho muito simplista resumir tudo o que somos na vida a problemas na infância. Mas acho que a influencia desses eventos pode ser muito maior do que eu costumava imaginar.

Live and let live

Eu não acredito no “pra sempre”. Acho muito romântico, muito utópico, muito… ingênuo.

Eu realmente queria manter alguns amigos, gostos, hábitos, sentimentos, manias e amores pra sempre. E tem coisas que eu posso sentir no fundo do meu coração que nunca vão mudar, mas não acho justo comigo mesma me iludir assim.

As coisas mudam, as pessoas mudam, nada é estático, sempre igual. Contatos se perdem, afinidades somem e de repente nada mais resta daquilo que parecia eterno.

Acho mais honesto viver o presente, amar com todas as forças agora, do que ficar sonhando com um futuro onde tudo será igual. Porque não será.

Daqui a vinte anos eu serei diferente, não outra pessoa, mas diferente. E aqueles a minha volta também se transformarão. Eu realmente desejo que certas pessoas estejam comigo pra sempre, no entanto, o meu senso de realidade me obriga a ser mais ponderada, menos empolgada. A aceitar, sem pensar que é traição, que quando não há mais prazer em ficar junto (seja com uma pessoa ou uma música) é porque é hora de se separar e manter apenas uma linda lembrança do que passou. Porque memórias não sustentam o presente, só romantizam o passado.

Claro que certas coisas acabam durando uma vida inteira, no entanto, hoje, aos 18 anos, eu não posso dizer nem com 0,1% de certeza o que ainda fará parte da minha vida aos 81. Nem imaginar é possível. Vai ver é por isso que eu tenho uma vontade gigante de ver o futuro, de saber como tudo será. Eu não faço planos de como pretendo estar, apenas quero saber como vou estar. E como quem eu amo hoje estará. Quero assistir as grandes novidades do momento se tornarem peças de museu e rir das previsões futuristas da primeira década do século XXI.

Eu aceito a mudança do tempo e da vida. Nunca vou deixar de pensar com carinho naqueles que ficarem para trás e terei orgulho daqueles que se manterem comigo. Mas é preciso ter em mente que viver e deixar viver também é uma prova de amor.

“Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de se aventurar…”
A Maçã, de Raul Seixas com adaptações minhas.

sábado, 16 de julho de 2011

Arte.

Vez outra aparece em algum jornal, revista ou programa de TV uma daquelas matérias perguntando se “grafite é arte?” e qual a diferença entre grafite e pichação. Eu acho que todas elas chovem no molhado, são sempre exatamente iguais e tentam convencer as pessoas de que grafite é arte e pichação é vandalismo. Mas a arte não precisa ser ensinada, as pessoas não precisam ser convencidas de que algo é bonito para apreciar. Elas precisam simplesmente ver, e está pra existir um tipo de arte mais visível que o grafite.

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Assim como as antigas esculturas e quadros, lá da idade média, cuja maioria dos autores é desconhecida até hoje, a maioria dos grafiteiros são desconhecidos do público em geral e na maioria das vezes as obras são assinadas com nomes artísticos que nada tem a ver com o nome verdadeiro do artista e o rosto de todos eles continua desconhecido, isso quando quem assina a obra não é um coletivo. E o valor financeiro da maioria das obras é nulo, afinal está na rua, não da pra colocar em exposição numa galeria de arte onde a meia entrada custa R$ 100. Não da pra vender para um milionário pendurar na parede e usar como forma de auto-exaltação.

Claro que vez ou outra alguém simplesmente arranca o pedaço do muro para vender, como fazem com algumas obras do Banksy. Mas o fazem sem nenhumano-future-capa autorização e contra a vontade do autor, que no caso do Banksy, deve sentir uma frustração absurda, afinal a obra dele vai justamente contra essa sociedade capitalista e que só pensa em dinheiro. Pagar milhões em uma obra dele – leia-se um pedaço de muro arrancado de alguma parte do mundo – , como fez a Angelina Jolie por exemplo, é só uma prova de que ela não entendeu absolutamente nada do que ele queria dizer.

Mas casos como esses são raros, a maioria dos grafites fica na rua mesmo, pra018 qualquer um ver, parar, fotografar, ou pintar de branco. E tirando um ou outro que consegue viver dessa arte, como osgemeos (descobri há 2 minutos que se escreve assim mesmo, junto e em letra minúscula), a maioria permanece vivendo de luz enquanto deixa mais bonita as ruas das cidades.

 

os gemeos portugal

Voltando ao primeiro parágrafo, o grafite é democrático porque é acessível a qualquer um, basta olhar e ver. E qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade entende que aquilo é arte. Não precisa de explicação, não precisa de justificativa, é arte e ponto.

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Tempo, tempo, tempo…

Hoje, pela enésima vez, fui eu andando para a biblioteca do Carandiru, mas dessa vez sem a T. (estou te devendo um post, eu sei, mas relaxa que eu um dia ele sai), na verdade encontrei uma amiga dos tempos do ensino médio que eu não via ao vivo há quase 2 anos. E foi um passeio bem singelo.

Tudo começou na quinta-feira, com uma vontade repentina de comer no Subway. Depois de ser tristemente ignorada por todos no Facebook, a M. respondeu e nós marcamos de ir até o Subway hoje. Assim, de repente, espontaneamente.

E fomos até lá comer e colocar a conversa em dia e, como sempre, arrumei uma desculpa pra ir no Carandiru. E lá ficamos, junto com um outro amigo dela que eu não conhecia, um cabeludo nerd meio chileno muito gente boa, das 17h até 22h30. E só fomos embora porque o frio estava insuportável.

Mas o que me levou a escrever esse post é que ainda me surpreendo em como o tempo passa rápido quando se está com alguém de quem se gosta. Quando a companhia é boa, ficar 5 horas sentada num banco de praça sem beber e nem comer nada, só falando besteira e piadinhas toscas, é algo que passa num piscar de olhos. E que da saudades.

M. vai viajar para o país S. (onde ela nasceu, diga-se de passagem) e lá ficará por pelo menos 1 ano. Quando nós ficamos quase 2 anos sem se ver estava “tudo bem”, afinal eu sabia que ela estava por aqui e a qualquer momento poderíamos nos trombar por aí, agora, ela estando em outro continente isso se torna um “pouquinho” mais difícil de acontecer. Estou com saudade por antecipação, mas sei que é o melhor pra ela, estou feliz por isso.

Porque os bons sempre acabam indo pra longe?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Tenho, pelo menos, uns 3 posts na cabeça pra por aqui. E preguiça o suficiente pra não escrever nenhum deles.

domingo, 26 de junho de 2011

Sem luz no fim do túnel

Poucas coisas destroem tanto a minha autoestima quanto a matemática. Aliás, nada destrói tanto a minha autoestima quanto a matemática. É a minha maior inimiga e a grande frustração da minha vida. A eterna pedra no meu sapato. A erva daninha da minha plantação. A febre aftosa do meu gado. A chuva do meu feriado. A maçã podre na minha fruteira. A internet discada da minha conexão. O idioma que eu nunca consigo aprender. O tempo seco da minha rinite alérgica.

Eu tenho uma teoria de que qualquer pessoa é capaz de aprender qualquer coisa e eu realmente acredito nisso, mas tem certas coisas que exigem uma capacidade extra para serem aprendidas e tem horas que a minha frustração é tão grande que eu não acho que eu tenha essa capacidade extra. Eu sei que eu tenho, sou capaz, mas o caminho é árduo demais pra eu manter o otimismo. A cada passo a frente aparece uma nova dificuldade que valem por três passos pra trás, uma nova barreira que parece intransponível. Deus é testemunha que eu tento, tento, tento e ainda assim parece que tudo é em vão. Eu caminho a passos muito lentos, queria ser melhor, eu consigo aprender japonês de trás pra frente mas não decoro uma fórmula. Me sinto uma retardada. Aí finalmente a coisa sai, um problema eu consigo resolver, e então percebo que não faço ideia de como resolver os outros 6 que faltam. E aí? o que fazer quando o mar parece mais longo do que a minha capacidade nadar? Quando a cada braçada vem uma onda e me joga pra mais longe da areia? respirar fundo e tentar de novo, só pra perceber que depois de muito esforço eu praticamente não saí do lugar? nessa altura do campeonato só me resta rezar pra que um salva-vidas forte o suficiente apareça pra me tirar do oceano. Porque é assim que me sinto: presa a um lugar que eu odeio, sem me mover nem respirar e sem qualquer perspectiva de um dia sair dali.

E eu queria tanto poder dizer que no fundo eu sei que as coisas vão melhorar. Que eu vou descobrir uma maneira de sair dessa situação e seguir em frente. Mas eu não consigo dizer isso, eu não posso. Porque eu sei que é mentira (e mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira). Mas também sei que só depende de mim mudar essa realidade. E depender só de mim é mais um motivo pra eu manter o pessimismo.

domingo, 12 de junho de 2011

BMW Jazz Festival – Parte 2

Quando o Joshua Redman Trio acabou, todos se levantaram e aos poucos foram para a frente do palco esperar o início do tão aguardando show de Sharon Jones & The Dap-Kings!

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Eu fiquei no mesmo lugar que estava desde que cheguei: bem lá na frente.

Antes de falar do show, preciso comentar da música ambiente: tocou Stevie Ray Vaughan umas 3 vezes. Dancei sozinha (pra variar) e fiquei imaginando como devia ser ver esse cara ao vivo. Porque os melhores morrem rápido?

Os primeiros a entrar foram os Dap-Kings. Eles tocaram umas duas músicas e depois chamaram as duas backing vocals, uma de cada vez, pra cantar um som antes de chamar a Sharon. As duas moças tem uma baita voz e eu iria fácil em um show solo delas. Mas quando a Sharon entrou no palco eu vi a diferença entre ela e as duas meninas: a presença de palco da Sharon Jones é algo absurdo. A mulher tem 55 anos e não parou de dançar, andar, correr, dar pulinhos, bater cabelo e falar o show inteiro. Até ajoelhar no chão ela ajoelhou. E não tinha essa de parar para descansar, era uma música atrás da outra, uma melhor que a outra e ela simplesmente não cansava. Se eu chegar aos 50 anos assim, sou uma pessoa feliz.

A banda também merece aplausos, cheios de coreografias combinadas e um entrosamento que só quem esta há anos juntos consegue ter, eles muitas vezes roubavam a cena, principalmente o equatoriano “boogaloo” que ficava dançando de uma maneira bem peculiar junto de seus bongôs. E tocam horrores! O que é aquele baterista? E preciso dizer que ele é a cara de um professor de química que eu tive. Se eu visse andando na rua, jurava que era ele. Voltando ao assunto, eles também são a banda da Amy Winehouse e gravaram o CD Back to Black com ela. Aparentemente eu não sou a única que acha os caras fodas.

No final das contas eu nem me lembro quantas músicas eles tocaram, foram tantas que perdi a conta, porém, foi mais do que suficiente pra fazer o que tinha tudo pra ser um domingo perdido em um dia merecedor de um lugar especial na minha memória. O clima daquele lugar já é algo memorável por si só. Um monte de gente que nunca se viu, deitados na grama, pegando sol e curtindo o dia. Acho que este foi o maior aglomerado de gente boa e tranquila que eu já vi. Cada um na sua, sem aquele clima de medo e violência que toma conta das ruas. Nem bêbados enchendo o saco tinha. Não havia nada para atrapalhar o clima de Woodstock dos pobres do 12 de junho paulista. E tudo isso regado a muito jazz.

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BMW Jazz Festival – Parte 1

Acabei de chegar do BMW Jazz Festival, vulgo show que eu falei no post abaixo. E vou começar do começo.

Eu fiz jus a minha síndrome de forever alone e fui sozinha. Todo mundo estava ocupado e restou-me passar o dia dos namorados só e comigo mesma. Pra terem uma ideia, em todo o Ibirapuera somente eu e um tiozinho não tínhamos companhia. Mas quem precisa disso? 

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Acho um absurdo essas pessoas que deixam de ir a algum lugar só porque não tem ninguém pra ir junto. Claro que eu prefiro ir com alguém, mas se não der, paciência, em casa é que eu não fico.

O show estava marcado pras 17h30 e eu cheguei lá pelas 16h, depois de uma caminhada de 30 minutos em um bairro bonito pra caramba que eu não conhecia e essa caminhada foi a prova de que a melhor maneira de conhecer um lugar é andando por ele. E é incrível a preguiça das pessoas. Todo mundo que eu pedia informação sobre como chegar lá vinha falando de ônibus e quando eu dizia que ia a pé, sempre respondiam: “vai ter que andar bastante, é longe”. 30 minutos é longe aonde? Até o casal que estava de bicicleta falou isso, mas eles eu deixo passar porque me deram o ponto de referência mais legal que eu já ouvi: é só seguir o pôr-do-sol. Vai dizer que não é poético? Enfim, gosto de andar por São Paulo e enquanto puder, vou a pé.

Quando cheguei lá estava meio vazio ainda e com uma cara de Woodstock dos pobres. Todo mundo sentado no chão fazendo piquenique. E um leve cheiro de maconha e incenso.

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Não sei se lá a coisa estava mais tranquila ou se sou eu que já me acostumei, mas o cheiro de marijuana estava bem leve, tinha horas que não tinha cheiro algum, o que é BEM incomum em qualquer show gratuito daqui. E vale até uma comparação com a Virada Cultural. Enquanto na Virada eu via um monte de gente bebendo vinho químico de R$ 1,00 no gargalo, no Ibirapuera tinham várias pessoas bebendo vinho também, porém vinho de verdade em taças de vidro. Repito, taças de vidro! As pessoas levaram taças pra lá como se estivessem no quintal de casa e ninguém matou ninguém com elas, o que na Virada pode acontecer a qualquer momento.

Sentei em um canto, dividindo a minha solidão com o senhor que estava a alguns 055passos de mim,  e fiquei esperando o show começar. Primeiro veio o show de abertura, óbvio, que foi do Joshua Redman Trio, um trio de jazz que eu nunca ouvi falar, mas que toca muito. O mais legal é que todo mundo assistiu o show sentadinho na grama, em silêncio, só curtindo o som dos caras.

E foi aí que chegou um bando de adolescentes a fim de causar, falando sem parar e MUITO alto. Dava pra sentir no ar o clima de “calem a boca” que tomou conta do recinto, com direito a várias pessoas fazendo “shhhiii” quando eles falavam alto demais, mas a hora mais engraçada foi quando uma das meninas mais chatas do grupo falou:

- AH EU VOU EMBORA!
Todo mundo em coro – AAEEEEEEEE!!!!

Os músicos não entenderam nada, no entanto, ela e o seu grupinho sim e finalmente calaram a boca.

A apresentação dos caras, apesar de muito boa, acabou rapidinho. Foram cerca de 30 minutos apenas, mas foi o suficiente pra deixar o lugar que estava um tanto vazio completamente lotado. Quando eu me levantei, tinha um mar de gente atrás de mim e eu não sei como tanta gente conseguiu chegar sem fazer o menor barulho, a ponto de quem já estava lá ter se assustado quando viu a quantidade de seres que estavam lá.

Antes

050

Depois

 

060

Esse povo todo apareceu lá de uma hora pra outra só pra ver a grande estrela da noite. E o show dela é a segunda parte desse post.

Vida inteligente na madrugada

Hoje, assistindo Altas Horas, eu descobri a Sharon Jones. Na verdade eu já a conhecia de nome e tinha curiosidade de escutá-la, mas sempre esquecia de procurar no Youtube. Quando a vi no programa do Serginho Groisman foi um alento e um motivo pra passar a madrugada vendo TV. Gostei pra caramba, a mulher canta muito e o que canta vem de dentro, não é música plastificada, é soul de verdade. E o melhor é que neste mesmo programa eu descobri que hoje tem show dela, de graça, no Ibirapuera.

É por coisas assim que eu adoro São Paulo, meus finais de semana são salvos de uma hora para outra porque sempre tem algo de bom acontecendo na cidade. E como planejamento não é algo do qual eu faça muita questão, tudo bem descobrir um show 13h antes dele acontecer =)

Um pouco da Sharon pra vocês::

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Muderna!

Agora este blog tem um layout especial para ser lido em celulares. Sinto-me tão geek e tecnológica (o fato de quem fez todo o trabalho foi o Blogger e eu simplesmente apertei um botão quando eles jogaram essa opção no meu colo a gente abafa).

Por que você pirateia?

“Por que você pirateia?” é o título de uma matéria do Estadão sobre um site francês que reúne os motivos pelos quais nós, internautas, baixamos coisas ilegalmente na internet.

Eu já pensei nisso algumas vezes e costumava me dar aquela velha desculpa de que é tudo culpa dos altos preços e que se CDs fossem mais baratos eu compraria e bla bla bla. Tudo mentira. Baixo porque é de graça. E enquanto os originais não forem gratuitos, eu continuo baixando. Aliás, nem quando forem gratuitos. Meu netbook não tem entrada para CD/DVD e eu já deixei de comprar algumas coisas por isso.

E o motivo pelo qual eu faço isso é o mesmo de todo mundo, no mundo todo. Por mais que todos saibam que é errado, ninguém quer pagar por algo quando se tem a mesma coisa, com alta qualidade (porque só baixa filme podre, filmado no cinema, quem não sabe caçar o troço em HDTV no Google), gratuitamente na internet. Claro que tem os casos dos fãs, que fazem questão de ter os CDs de seus ídolos em casa, pra poder ficar babando no encarte e aquela coisa toda, eu também sou assim com as bandas que eu gosto muito, muito, muito mesmo. Entretanto, aquelas bandas, ou filmes, ou séries, que gostamos mas não mudam nossas vidas, podem estar o preço que for nas lojas, 94,7% das pessoas preferirá baixar na internet simplesmente porque nenhum preço ganha da opção “de graça”.

No próprio site do Estadão tem um monte de gente colocando a culpa no Brasil e seus impostos from hell. Concordo que os impostos daqui são absurdos, porém, se o problema fosse esse, a pirataria seria um problema exclusivo do Brasil, coisa que a falência generalizada da indústria fonográfica prova que não é.

Então não adianta ficar de hipocrisia e inventar desculpas para justificar o total desprezo pelos direitos autorais alheios. Baixar é de graça e de graça, até injeção na testa.

ps: vale colocar a opção mais votada no tal site francês para justificar os downloads ilegais: “Porque eu faço um backup às minhas custas do patrimônio cultural da humanidade”. Adoro o cinismo desse povo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vida em sociedade

O último post me fez pensar em como a atitude de quem a gente não conhece muitas vezes é tão importante.

Hoje eu trabalho o dia inteiro com pessoas sob os mais variados “estados de espíritos”. Trabalho com o tão (mal) falado Serviço de Atendimento ao Consumidor, vulgo SAC. Atendo gente puta da vida (e muitas vezes com razão) e gente nem tão puta assim. E chega a ser engraçado como certas atitudes mudam todo o tom da conversa.

Quantas pessoas com muitos motivos para surtar no telefone não ficaram calmas simplesmente porque eu as tratei bem? acho que elas sentem que ao menos alguém se importa com elas, e a sensação de estar tendo atenção supera a revolta pela não solução do problema. Parece absurdo o que digo, mas vejo isso todo santo dia.

E quantas pessoas sem motivo algum pra reclamar desligaram o telefone espumando de raiva porque eu as tratei mal? o sentimento de descaso foi maior do qualquer solução apresentada.

E quantas vezes eu passei o dia inteiro com um sorriso no rosto porque alguém fez uma gentileza, um elogio ou ligou no dia seguinte pra agradecer algo que fiz por elas? E não tenho a menor dúvida de que os elogios marcam muito mais que os xingamentos. Um xingamento te deixa nervosa na hora, um elogio muda um dia inteiro.

Por mais que tentemos ser criaturas racionais, que agem de maneira lógica e não se deixam afetar por coisas sem importância lógica, não conseguimos. Ainda somos animais, não máquinas. E a relação com outros seres de nossa espécie ainda é a coisa mais importante, que mais nos preocupa e nos afeta.

Mesmo quando o assunto principal não são pessoas, e sim produtos ou simplesmente dinheiro, a relação e a reação de outra pessoa é o que mais faz diferença.

Todo mundo gosta quando alguém que mal conhece demonstra se importar. E não custa nada ajudar a velinha a atravessar a rua, abrir a porta do elevador para o vizinho ou elogiar um trabalho bem feito, porque de reclamar ninguém esquece.

gentileza_poema_escrito_no_bolso

terça-feira, 31 de maio de 2011

Ça va?

Ontem vi meu antigo professor de francês na estação Barra Funda. Na hora meu coração derreteu e eu fiquei morrendo de vontade de falar com ele mas tive vergonha e fiquei na esperança que ele me visse e falasse comigo.

Hum, que pretensão a minha, pensar que lembraria de mim depois de quase dois anos. Não fui uma aluna tão marcante assim… au contraire (já diria o Sheldon)!
Praticamente abandonei o curso no último mês por incapacidade de apresentar um trabalho, em francês, sozinha, na frente da sala toda. Mais uma vez tive vergonha e essa vergonha me envergonha. Eu fui covarde. Larguei o curso que mais amei fazer na vida por covardia. Arrependo-me até hoje disso, assim como me arrependi de não ter falado com ele ontem, me arrependi na hora, quando o vi virando à direita e indo embora.

Devia ter dito como ele foi importante na minha vida. Ele nem deve sonhar com isso, mas fez parte de um dos melhores momentos dela e fez a língua francesa evoluir de uma coisa legal para uma paixão, aprende-la de verdade é um dos meus objetivos de vida. Tudo graças a ele. E ele não sabe porque ontem não tive coragem de falar o que merecia ser dito.

É incrível como certas pessoas passam pela nossa vida, fazem uma baita diferença e nem se dão conta disso. Por mais que nos falte coragem, acho que todos deviam agradecer pessoalmente a essas pessoas na primeira oportunidade. Dinheiro é uma coisa fantástica e eu queria ter uma coleção dele, mas não tem dinheiro no mundo que tenha o valor de um “muito obrigado”. O reconhecimento de que sim, fizemos a diferença no mundo, nem que seja pra uma pessoa só, mas a nossa vida ficou de alguma forma marcada no tempo, deve ser uma emoção indescritível.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Simpatizante com S maiúsculo!

Hoje (na verdade ontem, mas como eu ainda não dormi, é “hoje”) é o dia internacional contra a homofobia. E eu não vou falar sobre isso. Vou falar é do amor que eu tenho pela cultura gay.

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É incrível, mas no quesito cultural, tudo que é gay é melhor. Qual meu seriado de TV favorito? Will & Grace. Qual o meu romance preferido? Brokeback Mountain (pense em um ser humano que chora só de ouvir a trilha sonora). Qual minha comédia preferida? Será Que Ele É?. Qual a melhor trilha sonora já feita? a de Velvet Goldmine. Qual o melhor filme do Al Pacino depois de O Poderoso Chefão? Um Dia de Cão. Qual meu personagem histórico mais amado? Napoleão Bonaparte e Alexandre, o Grande empatados em primeiro lugar. Não há nenhum indício sobre Nana, mas o Alexandre….E música? Digo sem medo de errar que uns 75% da minha playlist tem um pelo menos um pezinho no arco íris. E entre os preferidos a proporção cresce ainda mais: Freddie Mercury é divo; David Bowie é ídolo; Renato Russo é paixonite recente; Morrissey é divindade; MGMT é o que há de melhor na atual cena musical. Dos 5 citados, só o MGMT não saiu do armário ainda, mas eu desconfio fortemente.

Com essas referências, basta me dizer que é GLBT que eu vou ler/ouvir/assistir/pesquisar sobre. Aí você pensa: A Gabriela deve ter um milhão de amigos gays. Pois é, não tenho nenhum. Nunca tive. Pra não dizer que nuunca tive, tinha um moleque na minha sala e a gente conversava de vez em quando e T. tem um monte de amigas lésbicas e a gente se fala vez ou outra. Mas nada demais, nada de ter o tal “melhor amigo gay”. Geralmente é desse jeito mesmo, amigos de amigos, mas nunca meus amigos.

Porque? sei lá, ser gay é um ótimo motivo para que eu assista um filme, mas não torna ninguém melhor ou pior do que ninguém, não muda caráter, é apenas mais uma característica da personalidade e por um simples acaso eu nunca conheci ninguém cujo santo batesse tão bem a ponto de se criar uma grande amizade. E o meu mundo ideal é um mundo assim. Não quero que todos sejam amigos e se amem, apenas que ninguém desconsidere falar com alguém pela sua sexualidade. E nem dê preferência a ninguém pelo mesmo motivo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Abaixo ao sistema!

Hoje passei por uma situação onde meu lado preocupado com a humanidade teve que se manifestar, mas antes, uma introdução:

Em transportes públicos, apesar de proibido, é normal ver pessoas vendendo doces, balas e chocolates ou simplesmente pedindo dinheiro. Eles sempre começam com aquele papo de que tem que sustentar mils pessoas, e podiam estar matando, roubando etc. Eu muito raramente compro alguma coisa, pois sempre desconfio. Lá no fundo sempre sinto que sim, ele poderia estar em um trabalho “comum” e não está porque não quer ou que aquele dinheiro não vai servir para compra comida, e sim qualquer outras coisa mais relaxante e proibida. Pode ser preconceito da minha parte, tenho noção disso, mas sempre desconfio e por isso nunca compro ou dou dinheiro.

Introdução feita, voltemos ao dia de hoje:

Estava eu, dentro do ônibus, depois de um saudável almoço no McDonald’s a caminho do trabalho, quando de repente entrou um moço e começou a vender chocolate. Minha reação inicial, quando ele terminou de falar e nos abençoar e foi recolher os chocolates ou o dinheiro de quem ia comprar, foi devolver o chocolate ao moço. E então pensei: porque não arruma um emprego? até eu arrumei. Pode não ser um sonho, mas pelo menos não to em casa coçando. E então me veio a cabeça que eu sou jovem e faço faculdade, aquele cara devia ter uns 40 anos e sabe-se lá até que ano estudou, é possível que nem o fundamental tenha terminado. Que tipo de emprego um cara assim consegue? alguma porcaria que não deve pagar nem um salário mínimo direito. E quem me garante que ele não trabalha a noite e faz aquilo para complementar a renda? é muito fácil julgar os outros quando não se está na pele deles. E sinceramente, desculpem-me o clichê, mas sim, ele poderia estar matando, poderia estar roubando. Entrar em um ônibus com uma faca e roubar a carteira de alguém é muito mais simples do que vender chocolate. E mais rentável também.

E, poxa, na última sexta-feira eu não tive dó em pagar uma quantidade razoável de dinheiro em um celular cujo valor não vai fazer a menor diferença na vida dos donos da Samsung. Minutos antes não tive dó em gastar R$ 10,00 em um lanche que vale no máximo R$ 5,00, em uma empresa multinacional que tem um lucro absurdo. E ali, naquela hora, eu ia ficar pensando se devia ou não gastar R$ 1,00 para ajudar alguém que realmente precisa daquele dinheiro? Eu nunca parei para me perguntar se devo mesmo patrocinar uma rede de fast food que paga uma salário miserável para os seus funcionários. Eu não faço a menor ideia das condições de vida das pessoas que montaram o meu celular. Nunca julguei nada disso, porque agora eu iria julgar alguém que eu mal conheço para saber se ele realmente merece ganhar UM REAL?

Chamei o moço e comprei o chocolate. Pode ser que aquele R$ 1,00 vire uma garrafa de cachaça. Ou pode ser que vire o pão que os filhos dele vão comer no  café da manhã. Nunca vou saber disso. Mas não é justo não ter pena de encher de Whisky o copo de quem já é rico e ficar de frescurite na hora de ajudar quem realmente precisa.

Não sou daquelas radicais que acha profundamente errado comprar algo dos grandes conglomerados, aqueles “opressores das massas”, no entanto, não custa nada prestar um pouco de atenção naqueles ao nosso lado.

Fácil, extremamente fácil…

Para mim os blogs tem um grande problema: a praticidade.

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Quando você vai escrever um texto para qualquer outra mídia, seja um jornal ou uma redação da faculdade, você realmente dedica (ou deveria dedicar) um tempo àquilo, pensar sobre o tema, amadurecer a ideia e tudo isso contribui para que um texto mais coeso e mais bem escrito saia dali. Já com o blog não, blogs são muito práticos, muito simples, um texto que acabou de ser escrito pode imediatamente ser publicado, não tem prazos, não tem metas, é tudo ao seu bel-prazer. Quando da vontade de escrever, basta ir lá e escrever, sobre o que quiser, quando quiser e postar imediatamente. Tudo muito simples, tudo muito rápido. Mas e a ideia?

Ideias são como flores, precisam de tempo e cuidado para chegarem em seu auge, se colhidas pequenas ainda não tem tanta beleza, mas se demorar demais elas perdem o brilho e o perfume.

Tem muito post aí com muito potencial, que acabam ficando pela metade, pois não houve aquele tempo necessário para que se desenvolvessem. E digo isso por mim mesma, todo esse tempo em que escrevei “você”, na verdade queria dizer “eu”. Comigo funciona assim. Muitos posts meus começam com um assunto, ou abordagem, e terminam em outro totalmente diferente. Alguns acabam sendo partidos e transformados em duas, três postagens. E muitas vezes em nenhuma delas eu consigo colocar no “papel” tudo o que queria, ou exatamente da maneira que pensava.

Alguma vezes sinto que passei demais por cima de algo, ou faço questão de chamar a atenção para pontos nem tão conectados, não aprofundo o que importa, ou aprofundo demais o que não estava nos planos. Até tento editar, mas o pensamento inicial nunca é igual ao final e sai tudo diferente. As vezes melhor, as vezes pior.

E acho que aí reside uma vantagem dos blogs: eles são espontâneos. Por ser reflexo do que está na cabeça do autor na hora do post, acho que nada pode ser tão espontâneo. Pode não ter a profundidade de uma tese de mestrado mas tem a espontaneidade digna daqueles que só querem falar e não fazem tanta questão de mudar o mudo.

A revoada dos urubus

Alguém me explica uma coisa? Porque diabos agora se fala tanto no Charlie Sheen?

charlie_sheen

Na época em que o Two and A Half Men estava pra acabar, tudo bem, é uma série de muito sucesso e tralálá, mas ele já saiu faz um bom tempo e quase todo dia tem uma matéria – totalmente inútil – sobre o cara em algum jornal.

Hoje entro no Estadão e logo na página inicial, com um grande destaque, vem a manchete:

Charlie Sheen pegou US$ 10 milhões emprestado da Warner, diz site

“E daí?” pergunto-me.

Tudo o que ele tem feito nos últimos meses é beber, usar drogas, falar merda, “casar” com atrizes pornôs e causar confusão. E a mídia, e seus espectadores, assistem a tudo como se fosse um grande espetáculo da Broadway, uma comédia cheia de ação, sexo e aventura ao vivo! Uau! Só que ninguém parece se dar conta de que, não, não é um espetáculo, é um ser humano de verdade cuja auto-destruição está sendo patrocinada por um bando de urubus em cima da carniça que não veem a hora do próximo passo, que pelo bem da audiência tem de ser repleto de bizarrices e emoção, para todo mundo poder fazer piada até ninguém mais aguentar. Aí ele é simplesmente esquecido e vira mais uma história dos bastidores das séries norte americanas.

Isso tudo me lembra os grandes Rock Stars de antigamente. Porque venhamos e convenhamos, por mais louca que a Amy Winehouse seja, ela é uma só, há algumas décadas nós tínhamos Ozzy, John Bonham, Jim Morrison, Keith Moon, Janis Joplin e mais um monte de gente para encher os tabloides de notícias de overdoses e destruições de hotéis. E todo mundo adorava. Quem nunca sonhou em atirar uma televisão da janela do hotel? eu já! “Sexo, drogas e rock n’roll” é o lema daqueles que sabem viver.

Sabem mesmo? Se pararmos para pensar, quase ninguém leva uma vida daquelas, não por falta de coragem ou talento, e sim porque ninguém quer. Nós glamourizamos a decadência, a auto-destruição, ver uma pessoa se entupir de drogas, se enfiar em brigas, pegar o maior número de DSTs possível e se acabar em dívidas, é uma coisa legal. É divertido. E é por isso que fazem tanta questão de acompanhar todos os passos de Sheen, ele é a nova Britney. Mas ela conseguiu sair do buraco e dar a volta por cima. E ele? será que consegue? ou será mais uma vítima da nossa sede por finais inesquecíveis (afinal, dar a volta por cima é muito chato)?

domingo, 15 de maio de 2011

Fafá

Esse gaúcho que fala grosso e canta com voz de Fafá de Belém é bom pra caramba!

Quando eu o vi pela primeira vez, no Altas Horas, não gostei. Achei bem fraquinho, mas aí ele cantou outra música, fui gostando… e agora não paro de ouvir.

Engraçado, faz uns 3 posts que eu não paro de por vídeo aqui, estou numa vibe de expressão musical. Pra que escrever se já tem gente que canta tudo o que penso?

ps: esse vídeo, apesar do nome, nada a ver tem com o post anterior.

ps2: “nada a ver tem” – curtiram a ordem invertida?

PS3: também quero um =P

ps4: roubei a piada de cima do Judão, a milênios li isso por lá e achei genial.

ps5: o Judão nunca mais foi o mesmo depois de ir pra MTV. O Borbs tem/tinha programa lá! Como assim??? estragou tudo!

Mais um!

Crime e castigo

Existem princípios que a gente não deve abrir mão, por mais alto, forte, cheiroso, charmoso, educado e simpático que o moreno seja.

…se ele faz com ela, VAI fazer comigo…

domingo, 8 de maio de 2011

Non, rien de rien!

Eu já me arrependi de algumas coisas que fiz e deixei de fazer, no entanto, é a música que fala justamente o contrário disso a que mais gosto de Edith Piaf.

Estas imagens são do filme, não da verdadeira Piaf

Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado
!

Com minhas lembranças
Acendi o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles
!

Varridos os amores
E todos os seus "tremolos"
Varridos para sempre
Recomeço do zero
.

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual
!

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você
!

E um dos principais motivos de eu gostar tanto desta canção é o fato dela ser a única coisa totalmente em francês que eu sei cantar do início até o fim. Sim, estou tirando onda.

Francês é o idioma da minha vida. É poético, sexy, filosófico. É romântico e deprimente. É blasé e decadente. É cult e charmoso. Se fosse uma pessoa, seria viciado em anti-depressivos mas viveria com a intensidade de poucos. Ou vai ver esta é apenas a imagem romântica que eu tenho dos intelectuais e boêmios franceses, que andam fumando e soltando frases de efeito nas vielas de Paris.

Eu tenho poucos orgulhos linguísticos na vida, esta música é um deles justamente por ser francófona. Também tentei aprender La Bohème (versão do Aznavour) e Toreador (a ópera), mas sempre esqueço de algum trecho. Já Non, Je Ne Regrette Rien eu sempre lembro inteirinha mesmo sem ouvir tanto assim.

Essa música me causa um certo encanto, o desprendimento e a liberdade com os quais ela interpreta a letra, o jeito de quem viveu exatamente da forma que queria mesmo sabendo que sofreria por isso, e quem conhece sua história sabe o quanto ela sofreu, e ainda assim resolveu realizar seus próprios desejos sem se importar com os julgamentos alheios. É preciso coragem para encarar as coisas desta forma, sem se esconder, sem se encolher em um canto e seguir os planos traçados pela maioria dita normal. Viver é difícil, são muitas escolhas, muitas possibilidades e a morte está logo ali, a distância de uma janela no oitavo andar, de um vão no metrô, de uma rua movimentada. Nós podemos ir até ela quando desejarmos, ou sermos simplesmente atirados a ela por alguém sem dar ao menos permissão. Vivemos por um triz e ainda assim não sabemos viver, não sabemos porque viver, não sabemos o que fazer.

Quando ela diz que não se arrepende de nada, não se refere a ter vivido da forma certa ou errada, de ter feito as melhores ou as piores escolhas, e sim de ter feito as suas próprias escolhas, de não ter deixado ninguém decidir por ela. De ter feito tudo o que fez porque quis, porque na época parecia ser o melhor fazer. Ela foi dona do seu próprio caminho e agiu sem se importar com as flores e as pedras que apareceram no meio da jornada. Pouca gente tem coragem de fazer isso. E singularidades sempre me fascinam.

Auto-imagem

Dia desses eu estava conversando com T., e em algum momento ela me perguntou:

- Você acha que a sua aparência reflete o que você é?

- Você diz no sentido de que, se alguém olhar pra mim, só pela minha cara já vai ter uma ideia de quem sou eu? - respondi.

- Isso! Eu não acho que quem me vê andando na rua tem ideia de como eu sou...

- Nem eu! Acho que eu não me represento nem um pouco...

magical-weave-mirror

Agora, sabe-se lá porque, esse assunto voltou a minha a cabeça. Eu queria saber o que as pessoas pensam de mim ao me ver andando na rua, se é que alguém pensa alguma coisa.

Sempre que alguém fala de moda, diz que as suas roupas refletem a sua personalidade, por isso eu já tentei me conhecer pelo meu guarda-roupa e na época não concordei com a frase, mas pensando melhor, e escrevendo este post olhando para ele com a porta aberta, até que faz algum sentido sim. Mas ainda assim não acho que eu passe uma imagem verdadeira de mim, nem mesmo quando eu abro a boca pra falar acho que me represento direito. Meu rosto não me representa direito.

Tem gente que tem o que chamam de "estilo", que só de olhar para o rosto, as roupas, o tênis, o cabelo, da pra saber se é metaleiro, comunista, funkeiro, rico, metido, nerd, bullie, cult ou barraqueiro. Tem gente que no jeito de andar já mostra a personalidade. Eu não acho que eu faça parte deste grupo, eu me acho só mais uma na multidão, e de certa forma isso é legal. Não quero aparecer, não gosto, mas o post não é sobre ter vontade de aparecer e sim sobre ter uma personalidade tão marcante a ponto de qualquer um poder ver.

Mas vai ver é tudo culpa dos estereótipos. Graças as novelas, filmes, séries, livros, a mídia em geral, nós fazemos uma ideia fabricada das pessoas. Se você gosta de tal música, você tem que se vestir assim. Mas se fulana pintou o cabelo de verde, é porque ela tem tal jeito de pensar. E então quando a gente se identifica com algum tipo de pensamento e jeito de viver, começamos a querer nos parecer com o tipo físico atribuído a tal estilo de vida, só que nem sempre a gente se encaixa. E aí, como que fica? Nos transformamos para realmente ser do jeito que a sociedade espera, ou continuamos exatamente com a mesma cara de sempre, nos vestindo da maneira que gostamos, porém vivendo da maneira que queremos, mesmo sem se parecer fisicamente com aquela ideia? Eu não sei por qual caminho segui, até porque não sei que estilo de vida é esse que levo…

Eu queria poder parar alguém na rua e perguntar o que ela acha quando me vê, no entanto isso pode soar meio estranho, então eu simplesmente vou tentando pegar uma coisinha aqui e outra ali que, vez ou outra, um conhecido ou um amigo menos chegado deixa escapar.

Vegetarianos, gays/lésbicas e mosquitos: me perseguem. Onde eu vou tem um, ou quem eu menos espero se encaixa em uma das "classes". Sempre, incrível.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Eu ia falar, mas falaram ainda melhor antes de mim: http://deeestemperada.blogspot.com/2011/05/blog-post.html

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Compras: on ou off?

Estava eu, alegre e feliz, lendo o Orgulho Verde, quando de repente me deparei com a seguinte frase “Pecados Verdes”. E aí pensei: será que comprar pela internet é sustentável?

kixx

Antes que pensem que a associação não faz o menor sentido, poucos minutos antes eu havia fechado a compra de um livro de oratória. Sem contar as canecas do Calvin e Haroldo que eu comprei no último domingo. Tudo via internet. Por isso, logo o assunto veio a minha cabeça.

E então fiquei pensando: eu poderia muito bem ir até a loja física perto do metrô aonde vou todos os dias, comprar o livro e depois seguir a minha vida. Impacto ambiental zero.
Agora, se eu comprar pela internet, o livro vai ter que sair lá de Barueri (outra cidade), onde fica o estoque, dentro de um caminhão provavelmente movido a diesel, que lança trocentas toneladas de CO2 por Km rodado. Da mesma maneira, as minhas canecas, que eu não faço ideia da onde estão vindo, vão gastar bastante a gasolina dos Correios.

Tudo isso porque eu moro em São Paulo, agora imagina o caboclo que mora lá em Uruguaiana, no RS. O livro vai ter que ir de Barueri até Porto Alegre e de lá ser redistribuído para o interior e algum dia chegar no endereço de entrega. Perceberam a burocracia?

Claro que um livro que está na loja também teve que sair de algum lugar até chegar nas prateleiras, mas creio que não dê tanto prejuízo ambiental. Pois o livro sai do estoque, vai para a loja e da loja cada pessoa leva para a sua residência. Já em compras online, o livro sai do estoque para a transportadora, vai para o centro de distribuição da transportadora que o envia para o centro de distribuição regional, e de lá ele vai pra casa do cliente.

Eu estou dando o exemplo do livro porque é o mais próximo de mim, mas praticamente todas as vendas online são assim. Pensando no meio-ambiente, aparentemente esta não é a melhor opção. E socialmente também, se a gente for parar para pensar na quantidade de caminhões que rodam pelas cidades contribuindo para o aumento do trânsito, que não só polui, como tira qualquer um do sério. Com o aumento das vendas via internet, a tendência é que esse trânsito de caminhões aumente cada vez mais.

Seria o comércio online o novo inimigo oculto do mundo verdinho e perfeito que nós sonhamos? A resposta eu não sei, só sei que antes de pagar o boleto irei até a loja da Barra Funda ver se o livro está disponível e se o preço é o mesmo. Admito que, se for mais caro, irei comprar pela internet mesmo.
Gabriela primata, capitalismo selvagem.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Invasão

Dona ANNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNA deixou o note na nossa mão com a conta aberta...
COITADA

Ela é uma ótima pessoa, mas esse desvio de caráter que ela tem sendo carioca flamenguista dá uma bela duma estragada.

Eu vou deixar uma dica aqui para os leitores, nunca, eu disse NUNCA, pergunte sobre aborto pra essa garota, isso é clero se você deseja se manter saudável.

Adeus, pois logo que ela descobrir que usei o blog dela estarei morto.

domingo, 1 de maio de 2011

Freedom!


Faço as coisas já sabendo que vou me arrepender, e faço assim mesmo. O problema é que isso afeta outros além de mim, o que torna certas atitudes egoístas da minha parte.
Mas sinceramente? foda-se. Já passo tempo demais me preocupando com o que os outros vão pensar, tem hora que eu mereço chutar o balde e fazer o que eu bem entendo. E a possibilidade de acabar sozinha no final não me assusta tanto assim.
E o pior é duvidar de si mesma só pra descobrir que no final das contas estava certa desde o início. Preocupar-me, então, pra que? que se dane tudo e todos. Só salvo uma pessoa, uma que já estava em mente desde o início, uma que realmente faria falta se saísse da minha vida. E só essa.
Amizade é algo assustador.
E eu me sinto tão livre depois de fazer o que socialmente não devia. Vejo tanta gente sofrendo tentando manter relações falidas - de amor, família, amizade ou emprego - só porque fica bonito. Gente que se sacrifica por algo que não vale nada. Como dizem os SmithsPor que eu desperdiço um tempo precioso
Com pessoas que não se importam se eu estou vivo ou morto?
E quanta gente vive assim? todo dia reparo em várias. Eu não nasci pra isso, não tenho paciência, não tenho diplomacia, não tenho capacidade mental o suficiente para aguentar certas situações. 
Não sou rainha em criar amizades, apesar de conhecer bastante gente, nem sempre quero ficar perto de todo mundo. As vezes eu só quero ouvir o rádio. Não quero conversar. Falar pode valer a pena, mas não é sempre. E mesmo assim eu falo para caramba. Que coisa. Voltando às relações, as vezes sou fria demais, mas o que posso fazer se é assim que me sinto bem? 
Quero andar pela Paulista de manhã.
Este post está totalmente desconexo, e eu não bebi nada, antes que alguém pergunte.
Estou com vontade de deitar na grama e ouvir The Smiths até cansar. Só quero isso.
Eu já fiz um post sobre o Morrissey, mas a minha vontade é escrever tudo de novo, porque é verdadeiro demais. Não da pra explicar. No que diz respeito ao Moz, posso copiar o Renato Russo: É exagero, pode até não ser. O que você consegue, ninguém sabe fazer.

Ctrl+alt+del

Eu queria que existisse um botão "delete" na vida. A minha seria um tantão mais simples, mas também faria de mim mais covarde. 
Fácil é sair fugindo de tudo o que assusta, deprime, machuca. Difícil é encarar tudo de frente e sobreviver. 
Pra mim viver é isso, é passar por tudo e sair o mais próxima possível da palavra "ilesa". A felicidade não ensina nada.

As vezes eu acho que estou exagerando. Agindo por impulso por coisas pequenas. É que existem certas coisas que eu simplesmente não sei como lhe dar, não nasci para elas, apesar de toda a propaganda positiva. Nem todo mundo é capaz de fazer tudo o que é considerado normal, eu não sou capaz da mais normal e natural das coisas. E me sinto bem assim. 
As vezes.

Soneto dos sem rumo na vida

Eu queria que tudo fosse do jeito que eu quero.
Eu queria saber o que eu quero,
se realmente é o que eu desejo ou
pelo menos o que eu preciso.

Se realmente vai me deixar feliz
ou se vai ser apenas uma sensação 
passageira.
E seguida de culpa.

Não sei ao certo nem a palavra certa
pra definir exatamente o que eu sinto.
Eu não sei que sentimento é esse.

Se é culpa, angústia, frescura
auto-piedade ou compaixão.
Só sei que é igual ao que eu costumava sentir.

Incrível como eu escrevo mal
e cismei de fazer em versos.
O mundo não precisava disso.

Soneto do Paradoxo Comportamental

Antes eu não gostava de quem eu era.
Agora sinto saudades.
Vai passar.
Ou não.

Não sinto saudades de mim,
sinto daquela sensação de
que nunca terei nada e
de que tudo vai dar errado.

Era mais próxima da realidade,
do futuro e do passado
mais próxima de mim.

Mas não era verdadeira
as coisas não são desse jeito,
porque nada é tão simples assim.

Soneto da Não-poetisa

Eu procuro, procuro, procuro.
Finalmente acho.
 Só pra pouco tempo depois descobrir que foi tudo uma grande besteira,
onde quem mais se fode sou eu.

E mesmo assim eu não me arrependo...
só me sinto enganada,
largada
feita de idiota

E mesmo assim eu não me arrependo...porque eu também quis
eu permiti
por um momento eu fui feliz

Mas agora passou
a ficha caiu
a festa acabou

Hora de voltar a programação normal.
Mas voltar melhor do que antes
e mais atenta também

domingo, 24 de abril de 2011

As vezes eu sou tão clichê. E eu acho que esse "As" tem crase, ou melhor, acento grave.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Dia 19 foi meu dia: dia do índio!

Nenhum feriado, nenhuma comemoração, nenhuma lembrança. E a cada dia que passa fica mais claro que a única vantagem de ser índio nesse país é ter o cabelo bom.

indio1

Mas falando um pouquinho mais sério, tem uma coisa que o meu professor de direito sempre diz e que sempre me da ânsia: “índio é brasileiro? não segue as nossas leis, fazem o que bem entendem na floresta, matam, estupram, sequestram, não obedecem ninguém. Pode ser considerado brasileiro quem não segue a lei do Brasil?”

A minha vontade é de responder: se índio não é brasileiro, quem é? os descendentes dos portugueses que chegaram aqui e saíram matando todo mundo e impondo a ordem deles? os descendentes de japoneses que se isolaram na Liberdade e só falam japonês o tempo todo, como se vivessem no próprio Japão? os descendentes de italianos que se orgulham de ter sobrenome que parece marca de macarrão e fazem questão de batizar os filhos de Enzo? os descendentes de alemães que se escondem em colônias no sul do Brasil, torcem pra Alemanha na copa e se sentem tão superiores a ponto de quererem se separar do resto do país? E todos eles também matam, roubam, estupram, sequestram e ignoram qualquer lei existente. Esses são os “verdadeiros” brasileiros? só porque usam calças e moram na cidade? Ah, me poupa e senta lá, viu.

 

ps: só pra constar, eu não moro em uma aldeia no meio da mata Atlântica, sempre morei na cidade e costumo usar roupas pra sair na rua. Além disso, descendo de portugueses, negros e índios. Por algum mistério da genética, nasci com mais cara de Iracema do que de Maria ou nega Jurema.

Quem não tem Uzi, caça com faquinha de serra

Este é um post sobre uma matéria do Estadão online, então, por favor, primeiro leia a matéria e depois o post, afinal eu quero expor a minha opinião, não manipular a sua: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110422/not_imp709441,0.php

 

Hoje saiu no Estadão uma matéria sobre as condições bélicas dos rebeldes líbios. A matéria é descaradamente uma tentativa de nos fazer perder a fé e o respeito nos caras, exaltando como eles estão mal armados e são incapazes de usar qualquer coisa um pouquinho mais moderna por falta de treinamento e disciplina (seja lá o que for que eles querem dizer com isso) e ainda falam sobre o uso de crianças e os perigos de minas terrestres. A mensagem passada é que devemos teme-los e que, mais cedo ou mais tarde, aquilo vai dar merda. E merda generalizada, tudo por culpa dos rebeldes e a sua falta de capacidade em lutar, que vão acabar espalhando minas, destruindo as cidades e matando os inocentes.

O quadro pintando também da a entender que as chances de derrubarem o Kadafi/Gadafi/Khadaphi/… é quase nula, tudo devido a falta de armamento adequado.

O primeiro paragrafo já sentencia: “A metralhadora russa PKT, a italiana Carcano e a francesa MAT-49 estão entre as armas usadas pelos rebeldes líbios que, na prática, têm pouca ou nenhuma utilidade. Projetada para ser disparada de dentro de um tanque, a PKT não tem gatilho, mas é usada por muitos combatentes. O mesmo acontece com a Carcano e a MAT-49, armas antigas, sem peças de reposição. Quem a utiliza seria mais perigoso com uma funda e uma pedra.” 

O recado do Estadão é bem claro: Líbios, desistam, não vai dar certo. Você que torce por eles, também desista, não vai dar certo. Você que recuperou a fé na capacidade de mobilização e luta contra o governo, desista, não da certo.

E tudo isso só me lembrou uma coisa: Guerra do Vietnam.

Quem eram os famosos(?) vietcongs? um bando de norte-vietnamitas magrelos e descalços, armados de facas, armas meia-boca e granadas de mão. E naquele meio tinha homem, criança, mulher grávida, idosos, estudantes, moleques que mal sabiam escrever o próprio nome. Alguém achava que um “exército” com esse perfil tinha alguma chance de vencer uma guerra contra a maior potência mundial, com soldados bem treinados, aviões, tanques, armas de última geração? e não foi exatamente isso o que aconteceu? Aquele bando de comedor de arroz mal nutrido chutou a bunda dos ianques tão longe que até hoje eles precisam sentar com uma almofadinha na cadeira pra não doer.

O que faz a diferença numa luta não é a arma, é a motivação. E isso é desde sempre, exércitos mercenários nunca ganham de um exército com uma ideologia, na revolução francesa foi assim, e assim sempre será. Se você não tem motivação, pode estar armado até os dentes que não vai vencer um adolescente com um estilingue. Pode matar um, mas nunca vai a matar todos. Os palestinos que o digam.

Por isso o meu recado para o Estadão é um sonoro fodam-se. E da próxima vez que tentarem manipular desestimular alguma coisa, por favor, se esforcem um pouquinho mais, porque dessa vez o trabalho foi bem porco.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Comfortably numb

Sempre gostei do título dessa música, me identifico com ele. Tem horas que eu entro em stand-by e deixo a vida me levar (citar Zeca Pagodinho em um post inspirado pelo Pink Floyd é dose), vou vivendo no piloto automático mesmo sabendo que deveria fazer muito mais, produzir mais, e não faltam coisas pra serem feitas. Tenho milhares de “obrigações” e não estou cumprindo com nenhuma delas. E eu não estava me sentido mal por isso, até ontem a noite.

De repente me bateu uma culpa pela minha inutilidade, uma vontade de sair dessa vida… até agora não fiz nada (pra variar), mas farei. Ainda hoje (difícil, mas preciso tentar).

O tempo está passando, a primeira metade do ano indo embora, e eu aqui, amebando. É possível ser bem melhor do que sou, chegar perto do que gostaria de ser. Só me falta a coragem.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Março de 2011: finjo uma doença para escapar de um compromisso. Duas semanas depois pego uma gripe infernal.

Abril de 2011: cogito fingir que estou doente para faltar no trabalho e ir ao show da Rita Lee. Dois dias depois amanheço com uma gripe infernal.

Moral da história: com vírus não se brinca.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pirataria nas ondas do rádio…

(continuando)

Depois do momento único no show do Sesc, cheguei em casa podre de cansada e fui dormir às 2h30 da manhã. O problema é que eu tinha combinado de encontrar T. no metrô às 8h30. Não quis nem saber, levantei às 7h e 8h já estava lá, com sono e dolorida mas feliz.
O objetivo era ir num show de música eletrônica (ela curte, eu fui ver como era, afinal eu não gosto de rock, gosto de música) na Sé (centrão de SP), chegando lá encontramos o apocalipse zumbi. Pessoas (leia-se, de cada 10, 9,5 eram homens) que estavam ali há no mínimo umas 12h, usando drogas sem parar. Se fossem drogas normais, tipo maconha e vinho com 97% de álcool custando R$ 2,00, beleza, mas o pessoal ali estava beeem mais acabado. O centro de São Paulo costuma ser assustador, mas nunca do jeito que estava no último domingo.
Eu e T. desistimos de ficar lá e fomos a Igreja (!) que ficava em frente a festa: o mosteiro de São Bento. E o mais bizarro é que na escadaria da igreja, tinham pessoas caídas de tão bêbadas e/ou drogadas, um casal de homens se agarrando e pessoas apodrecidas viajando. Enquanto lá dentro acontecia uma missa como se o mundo lá fora estivesse perfeitamente normal. Entramos lá dentro, vimos um pedacinho da missa, tomei banho de água benta, chegamos a conclusão que a arquitetura era barroca (?) e fomos embora atrás do Cine Sesc para ver O Mágico de Oz já devidamente sincronizado com o Dark Side of The Moon.
Só pra chegar lá e descobrir que a versão sincronizada tinha passado às 2h, e que a que ia passar agora era a versão normal e dublada. Nem quis ver. Ficamos rodando e nos perdendo pela Paulista, na feirinha do Masp, no parque, T. roubou uma revista de um parque qualquer, andei atoa a Augusta quase toda atrás de uma lanchonete vegan que vende o melhor suco de caju do universo só pra descobrir que estávamos do lado errado. Como a preguiça foi mais alta, fomos até o shopping comer no Subway. E aqui cabe um parênteses:
Cara, como é difícil comer nesse troço! Não tinha nada indicando o que era opcional ou não, o que me fez montar o sanduíche sem ter a menor noção de quanto custaria. E se ficasse uma fortuna? eu dizer que desisti da compra e sair correndo? sorte a deles que ficou “barato”!
Voltando, como a vontade de tomar suco era grande, fomos até a casa do pão de queijo (!) e num momento de loucura tomamos um suco de cenoura com laranja, beterraba e pó de guaraná! Que troço ruim! (aqui vale um parênteses de verdade: a nossa última refeição juntas tinha sido chocolate com ketchup e suco de goiaba. Temos problemas).
Tudo isso para encontrar o povaredo, ouvir as duas últimas músicas do show do Frejat, torrar no sol, ver a Blitz e depois descobrir que eu não sei nada de RPM e que o Paulo Ricardo continua dando um caldo mesmo depois de velho. Pular e cantar músicas que eu não sabia a letra também fizeram parte do pacote.
Resultado: cheguei em casa morrendo de dor nas pernas e na sola dos pés (!), com fome e sede, mais pobre que há dois dias atrás e tendo que acordar gripada às 6h da manhã do dia seguinte.
Que a próxima virada chegue logo porque essa foi pouco!

ps: ainda faltou comentar do psicopata do metrô, da Igreja Ortodoxa que entramos depois da de São Bento e que é uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida e de como eu odeio o circo. Isso tudo fica pro futuro.