terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Escrever é tão legal. Eu nunca tinha reparado nisso. Quando você coloca no papel(ou na internet) os seus sentimentos, parece que eles ficam mais leves. E as ideias? ficam mais claras, fazem mais sentido. O ato de escolher as palavras, pensar na pontuação, escrever, apagar, reescrever, faz bem pra cabeça. Areja a mente. Tem coisas que eu não tenho coragem de dizer, mas escrevo. É como se o papel substituísse um confidente. Eu não tenho com quem dividir algumas coisas, então eu escrevo e elas saem de mim. E a sensação é ótima. Eu consigo me livrar do que estava me incomodando ou empesteando os meus pensamentos. Como eu nunca percebi isso antes? E o melhor é que isso não exige o menor talento porque eu não quero ganhar o Pulitzer, eu só quero dizer o que eu penso, mesmo que não tenha ninguém pra ouvir/ler. É tão simples e tão fácil que chega a ser bonito.

Insensível, você diz. Impossível, fazer você feliz...


Depois de falar da minha deficiência afetiva, agora vou pra segunda parte da análise: como eu sou retardada.
Eu ainda não acredito que eu realmente achei que ia ser tudo tão simples, assim. "Era racional", ah me poupe. Eu me submeti a uma humilhação por alguém que eu não amo! Levar um fora por alguém amado é aceitável, agora levar um em troca de nada,pelamordeOdin... O que que se passava pela minha cabeça? não sei, sinceramente.  Mas foi bom sabe, assim eu paro de fantasiar e sigo em frente. Contudo, eu não consigo deixar de me sentir ridícula e loser. E eu mereço, porque eu fui ridícula e agi como loser. Aprendi a lição, agora eu vou parar de correr atrás e esperar a minha hora chegar. Um dia ela há de chegar, nem que seja pra me fazer sofrer. Eu não quero ser o Morrissey.



Até parece loucura
Não sei explicar
É a verdade mais pura
Eu não consigo amar
Meu bem me desculpe
Não quis te ferir
Mas dizer a verdade
É melhor que mentir...
Insensível!
Insensível você diz
Impossível!
Fazer você feliz...(2x)
Às vezes você esquece
O que eu finjo esquecer
Mas pra mim é difícil
Eu não consigo entender
Entre outras pessoas
É tão natural
Porque será que comigo
Não pode ser igual...
Insensível!
Insensível você diz
Impossível!
Fazer você feliz...(2x)
Não fui eu, Não foi você quem escolheu
Viver neste mundo tão frio
Insensível!
Insensível você diz
Impossível!
Fazer você feliz...(2x)

Love,love,love...



Hoje vi "500 dias com ela", me inspirei e resolvi dizer pra um guri do qual eu gosto, que eu gosto dele. E a palavra é "gosto" mesmo, não é paixão, muito menos amor. O que acontece é que, desde que eu o vi pela primeira vez, eu percebi que ele era parecido comigo nos gostos, nas opiniões, no estilo de vida. E é raro isso acontecer, já que eu sou uma velha chata de 17 anos. Ou seja, logo de cara ele me chamou a atenção. Lá pela metade do ano, depois de algumas tentativas falhas, começamos a conversar de verdade, porque ele virou amigo de um amigo das minhas amigas, depois amigo das minhas amigas e por fim sentávamos lado a lado. E a minha impressão se confirmou: ele realmente é muito parecido comigo. Mesmo. Só que meio imaturo ainda, mas isso o tempo resolve... Enfim, nós nos demos muito bem, ele parecia simpatizar comigo, me convidou pra ir assistir uma palestra do ITA(!),tudo muito bom,tudo muito bem. Aí eu me empolguei e achei poderíamos dar certo, não porque nos amávamos e sim porque a gente combinava. Era racional ficarmos juntos. Segundo os filmes, quando um mocinho e uma mocinha tem tudo a ver e se dão bem, eles se apaixonam e ficam juntos. "Eu não estou apaixonada ainda",pensava,"Mas isso o tempo resolve. Se nós namorarmos, eu aprendo a gostar dele com o coração". Parecia o plano perfeito da felicidade eterna. Só faltava avisar o menino disso. E hoje, assistindo "500 dias com ela",a personagem Summer disse algo que eu não consigo me lembrar o que é de jeito nenhum,que me deu o clique, que disse "vai la Gabriela, se declara pro Garoto". As 20h de hoje eu me declarei. Eu disse: "eu gosto de você". E eu levei um fora hahahahahahhha Aparentemente ele não acha racional ficarmos juntos... Apesar de eu ter levado um toco, eu acho que foi mais difícil pra ele do que pra mim essa história toda. Eu não fiquei mal pelo fora, por culpa da ausência de um sentimento mais forte, mas ele ficou perplexo e tenso, não esperava por isso, tadinho...
Você deve está pensando aí "Gabriela, você não tem coração. Você brincou com os sentimentos dele, e se ele diz que sim? se vocês namoram e você não 'aprende' a ama-lo? ia fazer o que?". É,eu concordo contigo, foi uma atitude egoísta da minha parte, mas eu realmente achava que ia passar do "gosto de você" pro "estou apaixonada por você" caso meus planos dessem certo. E a prova de que não seria assim foi a minha reação. Eu aceitei o "não" tranquilamente, fiquei um pouco triste é verdade, mas no fim das contas foi só mais uma experiência social pra eu usar nas minhas teorias e eu me sinto mal por isso. Eu nunca amei ninguém(eu digo como namorado, óbvio que amo minha família e amigos), um amigo meu já disse que eu tenho uma pedra no lugar do coração. Mas a culpa é minha se não acontece comigo? eu realmente queria que acontecesse. O filme supracitado tem um dos casais mais fofos que eu já vi e eu queria que aquilo acontecesse comigo também. Mas eu não sinto nada por ninguém, o máximo que eu consigo é "gostar". Eu nunca senti nenhum daqueles sintomas de paixão descritos pelos filmes, séries, novelas, músicas. Nunca. Nada. E pelo visto ninguém nunca ficou assim por mim também .Será que eu sou normal?

Lolita

Eu tinha esquecido de falar sobre Lolita!




Título Original: Lolita
País de Origem: UK/EUA
Ano de lançamento: 1962
Direção: Stanley Kubrick
Elenco:
James Mason
Shelley Winters
Sue Lyon

Sinopse: Precisa? Enfim, é a história de um cara de 40 anos que se "apaixona" por uma menina de 13.

Minha opinião: Sabe qual o problema desse filme? o diretor. "Como assim,Gabriela, é Kubrick!", exatamente, é Kubrick! Veja bem, o filme é baseado em um livro clássico e polêmico, que tem passagens bem chocantes pra quem não é pedofilo, o que é o meu caso. Ou seja, não é qualquer diretorzinho bunda mole que é capaz de fazer uma boa adaptação do livro, e o Kubrick é tudo, menos bunda mole(ele fez Laranja Mecânica pow!). Então eu fui assistir pensando que ele não teria pudor nenhum e não é o que acontece. Se qualquer outro diretor o tivesse gravado eu estaria dizendo as mil maravilhas do filme, porque ele realmente é bom e é bem fiel a história (tudo bem que eu ainda não terminei de ler o livro, e nem vou*), eu o recomendo a qualquer um. No entanto, não é qualquer diretor, é o diretor de O Chamado, Laranja Mecanica, Nascido Para Matar.... e eu esperava que ele fosse mais incisivo. No livro o protagonista deixa clara a sua condição de pedofilo. Os comentários dele são nojentos e te deixam com vontade de arrancar o seu fígado e comer com limão e é aí que mora a beleza da coisa: nós temos que ter ódio do cara, o crime dele é um dos piores que existem, ele tem que ser fofo e simpático com a sociedade, pra enganar a todos, mas nós,os leitores, que sabemos de todos os pensamentos, não podemos ser coniventes com ele. A intenção do Nabokov, autor do livro, era essa. Porém, no filme, isso é suavizado. As partes mais chocantes ficam de fora. Aí fica aquela coisa nas entrelinhas, onde você sabe o que está acontecendo mas não fica claro nunca. Mesmo quando eles fogem juntos, na cena das unhas e nas crises de ciúme, não é explicitado nunca que eles são um casal. Você sabe que eles são, mas isso não é dito. Como eu disse, se fosse um diretor qualquer eu não daria a mínima,botaria a culpa na época(o filme é de 1962) ,mas é Kubrick. Eu esperava mais.

Notas de rodapé:

1) * Não terminei e nem vou terminar porque eu enchi o saco do cara. O início do livro é fantástico, te deixa de boca aberta, mas depois que começa a história pra valer da uma esfriada. E aí eu me revoltei contra os personagens e desisti de ler temporariamente, e dia 12 tem que devolver pra biblioteca.

2) Existem 2 "Lolitas", o de 1962 que é o resenhado e um de 1997, dirigido por Adrian Lyne que eu ainda não vi. Segundo a wikipedia, este de 1997 "Difere substancialmente da adaptação anterior feita porStanley Kubrick em 1962.".


3) A mãe da Lolita, a tal da Haze, é um dos personagens mais chatos do cinema, a mulher é insuportável. Não sei porque ele deu tanta ênfase nela, se no livro ela aparece tão pouco. Pelo menos até onde eu li.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Mr. McGregor!


Ewan McGregor! Taí um cara que é muito mais que um rostinho bonito. É incrível a capacidade de fazer filmes legais que esse cara tem.
Lembro-me de quando o "conheci". Foi no papel de Obi-Wan Kenobi, em Star Wars (este personagem é até hoje o meu preferido da saga), depois eu assisti Moulin Rouge, que é divertidinho, então veio Peixe Grande(bem sem-graça na minha opinião) e aí se seguiu uma seqüencia fantástica: Velvet Goldmine, O Golpista do Ano e Trainspotting. Não que eu já não estivesse apaixonada por esse escocês, mas esses três filmes consolidaram a paixão. São a prova de que Ewan McGregor é um dos melhores atores da atualidade, capaz de interpretar desde um contraventor gay até um viciado em drogas, e porque não um rock star bissexual viciado em drogas inspirado no Lou Reed. Mas se você pedir com jeitinho ele também pode fazer um mocinho apaixonado que fica cantando Elton John por bordéis franceses junto com a amada, ou então um ícone do cinema nerd.
E aí eu te pergunto: quantos atores fazem musicais, ficções "científicas", dramas e comédias com a mesma (alta) qualidade? e ainda é lindo? e escocês? e usa kilt? Dá pra não se apaixonar por uma criaturinha dessas? han?

Trainspotting
























Título Original: Trainspotting
País de Origem: UK
Ano de lançamento: 1996
Direção: Danny Boyle
Elenco:
Ewan McGregor
Ewen Bremner
Jonny Lee Miller
Kevin Mckidd
Robert Carlyle


Sinopse: A história gira em torno de um grupo de supostos amigos viciados em heroína na Escócia, cujos destinos vão sendo traçados pelo uso de drogas.

Minha opinião: Hoje eu vi Trainspotting. Fazia tempo que queria ve-lo e hoje finalmente aconteceu. Achei bem divertido e discordo totalmente de que ele faz apologia ao uso de drogas, como alguns acusam. Nenhum ser humano normal vai querer levar uma vida daquela só porque o Renton conseguiu um pouco de dinheiro.
Mas o que realmente marca, é que ele é um filme que te faz pensar. A não-vida do Renton(protagonista) é um lixo, tanto que ele tenta sair dela, mas e a nossa é grandes coisas? Em certo momento algum personagem (não me lembro se é o Renton ou o Sick Boy), diz que todo mundo tem um vício, mas uns são mais socialmente aceitos do que outros,e isso vai bem de encontro com a minha teoria de que a sociedade só se sustenta se certas substancias capazes de tirar o homem de seu estado normal de consciência forem lícitas. Sem algo pra deixar a maior parte da população sedada por um tempo, a vida em sociedade fica insustentável pelo simples fato de que essas pessoas não aguentariam viver essa vida tão vazia de significado que temos hoje. Se não fosse o alcool e o cigarro, muito mais gente estaria se jogando nos trilhos do metrô. Ah,pode não parecer mas o filme é muito divertido. Apesar do tema pesado e do caráter duvidoso dos personagens, você acaba simpatizando e rindo das besteiras deles, sem contar os ótimos dialogos (a parte sobre os homossexuais é uma das minhas preferidas), tanto que me lembrou um pouco o Clube da Luta(preciso o ver novamente!). A trilha sonora é outro ponto forte, indo de Lou Reed a música eletrônica. Enfim, recomendo fortemente.

Notas de rodapé:

1) As semelhanças com Clube da Luta não param nos diálogos fodásticos. Assim como a história de Tyler Durden, este filme também foi baseado em um livro de mesmo nome, só que o autor é Irvine Welsh.

2) A parte minha opinião ficou com um começo diferente, meio óbvio, porque isso começou como um post independente, eu não pretendia fazer uma mini resenha do filme.
A ansiedade por causa do Enem está chegando a níveis nunca experimentados. É uma sensação estranha. Não é aquele pessimismo "não vou passar bla bla bla". É pior que isso. Eu não sinto nada. Eu não sei o que me espera. Pode ser que dê, pode ser que não. Who knows?.
Estou "vendo" um filme sobre o massacre de Rwanda, só pra chegar mais uma vez a velha conclusão: o mundo é uma merda. Mas quando a merda é na Europa, chamam de "holocausto","genocídio" e quando a merda é na África, é só mais um fato histórico que nem é do mais importantes. Saber o que era o ostracismo na Grécia Antiga é muito mais relevante. Uma das provas disso é o tão amado vestibular. É engraçado até. Caem milhões de perguntas sobre "história mundial", no entanto esse "mundial" se resume ao que acontece na Europa e nos EUA. A prova de geografia pede detalhes do relevo e da industrialização estadunidense, mas não faz uma pergunta sobre o Uruguai, nosso vizinho. E hoje o vestibular serve de base pro ensino nas escolas. Escola boa é aquela que coloca o maior número possível de alunos na USP, Unicamp... e pra isso elas baseiam os seus currículos escolares no cai no vestibular. Se antes ninguém estudava história da África, é agora que não vamos estudar mesmo. Os Sandinistas da Nicarágua, dificilmente serão citados. Porque o que importa é passar no vestibular, o objetivo de se aprender uma matéria é passar na dita prova e não compreender os acontecimentos e fenômenos a nossa volta. E o pior é que o objetivo de se passar no vestibular, não é nem fazer o curso que se realmente ama e sim aquele que tem mais possibilidades de me dar altos salários fazendo o trabalho menos torturante possível. Quantos tem coragem de fazer uma faculdade de filosofia? ciências sociais? artes cênicas? são esses cursos que exigem coragem. Geralmente as pessoas ficam impressionadas e dão até boa sorte pra quem diz que vai prestar engenharia, mas não é preciso coragem pra ser engenheiro. É fácil. Qualquer família apoia, ganha-se o respeito dos amigos e um futuro profissional de sucesso é quase garantido nos tempos de prosperidade em que vivemos. Agora, filosofia? o que é que se faz um diploma de filósofo? ninguém apoia, ninguém da valor, ninguém respeita. Filosofia é só um exemplo dentre vários cursos cuja procura é mínima, não porque falta quem goste e sim porque falta quem tenha bolas pra encarar. Quem seja pobre e mesmo assim aceite encarar 4 anos de curso pra continuar pobre. Estudo no Brasil é visto unicamente como uma forma de ascensão social, então o pobre que sua pra entrar na faculdade tem que fazer um curso com retorno financeiro o mais certo possível.
Hoje, nós somos ditadores de nós mesmos. Não é o governo que rouba descaradamente o nosso direito de ir e vir, somos nós mesmos, nessa busca incessante por mais um punhado de dinheiro. Dinheiro pra que no final das contas? qual o objetivo de ser tão rico? comprar casas, carros, joias, viagens, pra que? não, não, não vou começar com aquele papo piegas de "dinheiro não traz felicidade", só estou a procura de objetivos. Também não vejo finalidade na pobreza, mas qual a finalidade da riqueza? Porque nós corremos tanto atrás disso? é realmente tão importante assim? realmente vale tudo para alcança-la? eu não sei e não garanto que um dia saberei, mas não custa nada perguntar.