terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os Paralamas

Dia 25 de janeiro foi aniversário da cidade de São Paulo e pra comemorar tiveram vários shows gratuitos pela cidade, infelizmente eu perdi o Ney Matogrosso na Praça da República, mas vi os Paralamas do Sucesso no Parque da Juventude (já to enjoando de tanto citar esse parque aqui…)

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Eles tocaram todas, todas, TODAS. Pense em um grande sucesso, eles tocaram. Isso significa que o show foi realmente muito bom, porém, ao contrário do Marcelo Camelo, o Herbert Viana não é tão gente boa a ponto de sair pra falar com os fãs e passou pela gente já dentro do carro e com vidro fechado, dando um tchauzinho sem graça (tudo bem que eu não estava lá na hora, mas tenho certeza que o tchau foi sem graça pela frustação de quem estava lá esperando pra tirar uma foto com ele).

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Mas mudando de assunto, isso me lembra que eu já vi praticamente todas as grandes bandas ainda existentes dos anos 80: Paralamas, Titãs, Frejat, Blitz e RPM. Só falta o Capital Inicial, mas eu não gosto deles, então tanto faz… E o melhor é que todos esses shows foram de graça (até porque eu jamais pagaria pra ver RPM, Blitz e Frejat). E em maio tem Virada Cultural, ou seja, mais uma porrada de shows legais pra ver.

É por isso que eu gosto de São Paulo, essa cidade sempre me brinda com algo gratuito pra fazer. “Nossa, uma carioca falando bem de SP?!?!” pois é, falo bem mesmo, adoro esse lugar e só pretendo sair daqui quando eu estiver podre de rica (aí me mudarei pra Barra, no RJ), aliás, se bobear nem rica eu vou embora, não suporto o calor do Rio, prefiro as chuvas constantes e alagantes, a poluição e o frio fora de época de São Paulo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Camelo

Não me lembro por qual motivo, mas teve um show de graça do Marcelo Camelo no Parque da Juventude. Admito que eu não conhecia praticamente nada da carreira dele, nem solo, nem nos Los Hermanos (apesar de gostar de uma música ou outra). Só sabia que ele era carioca, barbudo e namora a Mallu Magalhães, porém, tenho algumas amigas que são apaixonadamente fãs dele e resolvi ir no show e convida-las. E não é que foi bem legal?

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Eu descobri que ele tem músicas bem bonitinhas/divertidas/deprimentes/legais e acabei me viciando nele um tempo depois. Não posso dizer que sou fã, mas se fosse no show hoje saberia cantar bem mais músicas do que dessa vez…

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Ficamos bem próximas do palco durante o show, mas o melhor foi antes: ele cantou pra T. na Biblioteca antes de eu chegar e depois tropeçou na gente atrás do palco, além de ficar alguns minutos fumando na chuva (!) a alguns poucos metros de distância de nós. Acho que está pra nascer uma “celebridade” tão simples e humilde como ele, quem via pensava que era só mais um dos mendigos que frequentam a Biblioteca do Parque da Juventude.

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E no final do show ainda rolou uma distribuição de samambaias, não me pergunte o porque…

O Protesto

Em uma tarde do final do ano passado fomos eu, a outra T. e L. comemorar o fim das aulas dando um passeio na Av. Paulista, quando do nada começou um protesto no já manjado vão do MASP.

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Quem acompanha os jornais deve se lembrar da ocupação da reitoria da USP no ano passado contra a presença da PM no campus mas esse protesto em especial foi por melhorias na educação brasileira. Sabe-se lá porque não recebeu nem 10% da cobertura que a ocupação da reitoria teve por parte da imprensa…

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Mas também tinha um quê de anti-PM por lá, com gritos de guerra contra a repressão e pela liberdade de expressão.

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O pessoal chegou a fechar a rua por alguns instantes mas logo desistiram, assim que os helicópteros da imprensa chegaram assim como vários repórteres, mas acabou nem tendo a repercussão que todos esperavam.

Entre os presentes, tinha gente com camisas a favor da anarquia, do comunismo, do socialismo, bandeiras do PSTU, PSOL e todos os partidos de “extrema esquerda” que existem no Brasil e, claro, alguém com a mascara do V de Vingança. Que protesto, por qualquer coisa, hoje em dia não tem alguém com essa máscara? do nada virou moda e olha que o filme já foi lançado faz um tempo…

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Com meses de atraso eu irei dar a minha opinião sobre a ocupação da reitoria: uma tremenda babaquice. Nessa mesma época eu fui até o campus da USP para assistir uma palestra e é incrível a falta de segurança daquele lugar, é simplesmente absurdo não querer a polícia lá dentro, estudar a noite ali deve ser aterrorizante. E esse papo de que eles reprimem a liberdade de expressão dos estudantes, pelo amor de Deus, a impressão que eu tenho é que eles invejam quem viveu na época da ditadura, quando os “revolucionários” desse país vão entender que o tempo passou e que eles devem lutar pelo que realmente interessa? o Brasil ainda tem inúmeros problemas e absurdos para erradicar e, enquanto isso, a suposta elite intelectual do país está preocupada em se fazer de vítima na televisão. Deprimente.

O recomeço.


Desde outubro passado que eu não passo por aqui, eu poderia inventar um monte de motivos mas a verdade é que eu estava sem vontade, com preguiça, sem ânimo. Manter um blog da muito trabalho, no entanto, resolvi voltar temporariamente.
De outubro pra cá, várias coisas dignas de post aconteceram: caí num protesto da USP no meio da Av. Paulista, fui em shows do Marcelo Camelo e do Paralamas do Sucesso, em uma exposição genial no Instituto Tomie Ohtake, arrumei e perdi um emprego, tive um semestre cheio de emoções na faculdade, fiz um curso de férias, ajudei a fundar uma empresa, resolvi mudar de vida, entrei e saí da depressão muitas vezes, vi filmes muito legais, descobri novas músicas e novos músicos, enfim, assunto não faltou e eu pretendia ignorar todos eles, mas resolvi fazer um resumão dos melhores momentos só pra aproveitar as várias fotos que eu tirei.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O fim.

Hoje eu descobri que estou na última encarnação. Segundo os “especialistas”, peixes, o meu signo, é o da última reencarnação, quem está nele não encarna mais. Depois de 11 vidas passeando pelo mundo, chegou a última, chegou a vez de se despedir e ir embora.

Eu nunca fui mística e nunca acreditei em signos, nem mesmo quando eu era criança. Sempre fui muito incrédula a respeito de tudo e continuo não acreditando no poder dos astros de influenciar a minha vida e personalidade, no entanto, essa história de última encarnação mexeu comigo.

A visão racional e materialista da vida diz que nós só temos uma e devemos aproveitá-la ao máximo, porque depois da morte não vem nem inferno nem paraíso, vem o fim eterno. Eu já estou mais do que acostumada com essa visão e concordo que devemos valorizar essa existência, afinal ninguém garante que teremos outras, isso não me incomoda em nada. Porém, saber que mesmo na visão mística e espiritual da vida eu não terei outra chance de voltar é um pouco… angustiante.

Eu posso optar tanto pelo ateísmo quanto pelo misticismo que estarei no fim, é a minha última oportunidade de viver como eu realmente quero. Isso liberta e ao mesmo tempo assusta.

De certa forma eu sempre fui meio “anárquica”, quando criança eu jogava futebol na rua com os meninos mesmo sabendo que o resto do bairro me achava lésbica por isso. Na escola eu matei um milhão de aulas que não me interessavam e nunca faltei nas que gostava. Há dois meses eu larguei meu emprego – de uma forma um tanto quanto dramática - porque não gostava do que eu fazia. Mas eu seria hipócrita se dissesse que não me arrependo de nada, como já falei nesse blog algumas vezes, eu me arrependo muito de não ter dito a algumas pessoas o valor que elas têm ou de ter fugido de alguma situação por covardia. E justamente por isso, a cada dia, eu reforço mais em mim o pensamento de que não há nada no mundo que tenha o valor do meu tempo. Não tem dinheiro que compre uma tarde de sábado ou imagem a zelar que valha abrir mão de fazer o que gosto.

Tudo isso pode parecer meio hedonista e individualista e é mesmo. Claro que eu me preocupo com o futuro da humanidade e com os diversos problemas do mundo, mas no âmbito pessoal eu me preocupo com a minha vida e a cada dia tento diminuir um pouco mais a preocupação que eu tenho com a opinião dos outros, preocupação essa que não me impede de fazer o que quero mas as vezes faz sofrer.

E isso tudo me faz lembrar do Steve Jobs. Não, eu nunca fui fã dele e nem tenho nenhum produto da Apple. O que eu sabia de sua vida era apenas que ele fundou a Apple e tinha pais adotivos. E quando ele morreu eu achei chato, mas nada que tenha me abalado emocionalmente, entretanto, teve uma coisa que me chamou a atenção: a paz com que ele aparenta ter ido embora. Lendo seus discursos, ele parecia encarar a morte de uma maneira realista e de ter aceitado numa boa que uma hora teria de partir. Ele viveu, fez o que tinha de fazer e foi embora tranquilamente. Como eu vi em um filme ontem, a vida é uma montanha-russa e nós podemos aproveitar a viagem, ou nos desesperar a cada descida. O Steve Jobs parece ter aproveitado a viagem dele, eu quero aproveitar a minha. Afinal, com ou sem esoterismo, essa é a minha última volta.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Vai trabalhar, vagabundo!

Tem coisas que a gente até entende a parte teórica mas só sabe exatamente como é quando passa por isso na pele. Tem uma música do Chico Buarque que diz:

“Tenta pensar no futuro
No escuro tenta pensar
Vai renovar teu seguro
Vai caducar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar”

Eu sempre entendi que ele queria dizer que o indivíduo que trabalha não tem tempo pra pensar de verdade e por isso o Brasil vive nessa mediocridade eterna. No entanto, só depois que eu trabalhei – por pouco tempo, mas trabalhei – é que pude entender e formar uma opinião melhor sobre isso.

É claro que o trabalho “mecânico”, repetitivo (lembre-se das aulas de sociologia aonde o professor passava a exaustão a cena de Charles Chaplin sendo engolido pela máquina em "Tempos Modernos”), deixa a pessoa com a cabeça tão cheia que refletir sobre a filosofia da estrutura pedagógica e social do ensino base brasileiro fica fora de questão, mas dizer que o trabalho e a revolução industrial é a única responsável por todos os nossos problemas é um exagero (e eu tenho certeza que o Chico sabe disso). É uma mistura de tudo. Educação ruim, falta de estrutura financeira e familiar (quantas pessoas “sem pai” ou com famílias problemáticas você conhece?), e trabalhos emburrecedores contribuem em conjunto para a situação atual não só dos brasileiros, mas do mundo, culpar só a estrutura escravagista trabalhista é besteira, porém, ao viver novamente no ócio, não tem como eu negar que cabeça vazia é oficina do diabo todo este tempo livre me faz refletir sobre tudo e mais um pouco – das maiores besteiras às grandes questões da humanidade. Em apenas três dias eu já criei preocupações inúteis, escrevi algumas vezes neste blog, enfim, coisas que só a disponibilidade pode trazer. É por isso que muitos dos grandes artistas e pensadores eram “vagabundos” – não que eu esteja me comparando a nenhuma deles, óbvio – pois só o tempo livre é capaz de fazer alguém criar alguma obra prima, ou a fazer uma grande besteira. Aí depende do nível de QI e do caráter do inútil em questão.

'”Então você vai abrir mão da vida trabalhista pra ficar atoa em casa?” Não, eu gostei de trabalhar, só não gostei do trabalho que eu fazia. Na verdade, o que deixa a pessoa meio não-pensante não é nem o ato de trabalhar, e sim o exercício diário de paciência para sobreviver a um emprego insuportável e totalmente insatisfatório. O estresse causado é tão grande que paralisa. Mas quem ama o que faz, esses continuam produtivos pois criam encima dele, dão o seu melhor, se sentem completos por fazer o que fazem. O que caduca e estraga o homem não é o esforço físico e nem o intelectual, e sim o esforço mental de passar a vida esperando a sexta-feira chegar.

domingo, 28 de agosto de 2011

País rico é país sem pobreza!

Uma das frases mais esculhambadas da atual presidentE do Brasil é: “País rico é país sem pobreza”. Devido a aparente obviedade da coisa, todo mundo adora bater na inteligência da Dilma usando essa frase como prova de sua duvidosa capacidade intelectual. Eu, nem de longe, sou fã dela, mas sou obrigada a admitir que, por mais que pareça, essa frase não é tão redundante assim – ela já disse coisa muito pior.

“Mas Gabriela, é óbvio e ululante que um lugar rico não tem pobreza!” É aí que você se engana, jovem Padawan. Um bom exemplo de que, economicamente falando, essa não é uma relação verdadeira, é a China.

A China é o segundo país mais rico do mundo. Alguém realmente acha que lá é uma região sem pobreza? que todos os chineses ganham salários absurdos e vivem que nem marajás?

Os EUA também são um bom exemplo. Apesar de a população em geral ter um poder aquisitivo alto em relação ao Brasil, dizer que quem habita os guetos de Nova York é rico é forçar um pouco a barra.

Atualmente muitas das listas dos países mais ricos do mundo leva em consideração o PIB per capita, que é a riqueza total do país dividida pela população. A medida parece ótima, no entanto, ela não avalia a desigualdade social. Muitos países árabes tem um PIB obsceno graças a produção de petróleo e uma população minúscula, o que os deixa em ótimas posições nos rankings de riqueza global, o que ninguém leva em conta é que esse dinheiro fica todo nas mãos dos reis e sheiks enquanto a população mal tem o que comer. Enquanto isso, a Noruega, que tem um dos melhores índices de qualidade de vida e igualdade social do mundo não está nem no Top 20 mais ricos.

Acho que já deu pra perceber que quando a Dilma diz que país rico é país sem pobreza, ela não se refere apenas a um PIB absurdo e sim a um país onde todo mundo tenha acesso a uma fatia considerável do bolo, mesmo que ele não seja o maior do mundo. Ela se refere a uma riqueza norueguesa e não chinesa. Cabe a nós decidir, através do voto e do nosso próprio esforço (levantar a bunda da cadeira pra estudar e trabalhar é o mínimo que podemos fazer) decidir qual caminho vamos seguir. Espero que seja o norueguês.