domingo, 20 de janeiro de 2013
As vantagens de ser invisível
A história é sobre a vida de um nerd com sérios problemas de socialização e alguns traumas psicológicos que faz amigos do último ano do ensino médio.
E é um dos filmes mais lindos que eu já vi.
Fazia tempo desde a última vez que um filme quase me fez chorar tantas vezes. A história tem muito da minha vida e mesmo nas partes aonde não tem, eu de alguma forma SEI como o Charlie (protagonista) se sente, a identificação foi tão grande, que me deu vontade de escrever pela primeira vez desde abril de 2012.
Eu tive necessidade de falar sobre ele.
Cada personagem é muito bem construído e me lembra de amigos do ensino médio, principalmente dos dois primeiros anos, de todas as coisas que vivi com eles. Eu estudei com aqueles personagens e muitas vezes eu fui o Charlie. A sensação de solidão, de exclusão, a vontade de ser como algumas pessoas sem nunca chegar lá e então conhecer pessoas que não querem que você mude e então tudo fica mais fácil mesmo estando difícil.
Tem uma cena, logo no início, em que ele diz que está feliz e triste. Isso é basicamente a definição da minha vida. E uma outra, em que ele está numa festa, e fazem um brinde a ele e ele responde com:
- Eu não sabia que vocês tinham reparado em mim.
"Que dramático Gabriela, chega a ser ridículo", é o que você deve estar pensando, mas só quem tem sérios problemas de auto-estima como eu sabe o quão verdadeira essa frase pode ser e como esse brinde foi importante.
Não que ele fosse carente e precisasse de alguém dizendo que o ama o tempo todo, mas quando você vive com medo de falar com qualquer desconhecido por ter certeza que ele não vai gostar de você, esse tipo de coisa é melhor do que tudo.
É saber que sim, tem pessoas que sabem que você existe e gostam da sua presença, apesar de tudo. É não estar sozinho.
Eu sempre tive amigos, mas aí eu trocava de escola, ou de estado, e estava só novamente. Sozinha, por mais que conhecesse outras pessoas.
E a banda preferida dele é The Smiths. E a música principal do filme é Heroes, do David Bowie. Eu não teria sido capaz de escrever um filme tão sobre mim quanto esse.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Hoje é dia de estágio, bebê!
Eu não falei aqui mas passei os últimos 2 meses na lama do desemprego, procurando por um estágio, tentando de algum jeito começar a minha carreira. E eu consegui! Não é na minha área…. mas é um estágio.
Comecei hoje e dessa vez eu estava particularmente desanimada. Já tive duas experiências profissionais antes e elas não foram exatamente boas, mas era o que tinha pra ontem e de certa forma foram importantes. Uma (ou duas) experiência ruim é melhor do que experiência nenhuma.
E vicia. Quando as pessoas me diziam que depois que você começa a trabalhar não consegue mais parar eu achava que elas estavam loucas, mas agora eu concordo. Ficar sem dinheiro é trágico, sem contar que passar o dia todo em casa da uma sensação de tempo perdido sem igual, não importa o que você faça.
Mas voltando ao meu desânimo inicial, ontem a noite fiquei refletindo o porque de eu estar assim e cheguei a conclusão de que era um tipo de medo do fracasso – afinal eu andei fracassando bastante nos últimos meses. Passei 2011 construindo um castelo só pra no final do ano descobrir que ele era de areia e vê-lo desmoronar em cima de mim. Agora, em 2012, estou tendo a oportunidade de catar meus pedaços e começar tudo de novo, dessa vez sabendo aonde eu errei e tentando consertar. E consertar erros da um trabaaaalho, mudar hábitos é a coisa mais difícil que existe. Fazer algo do sei jeito é fácil, difícil é fazer esse mesmo algo de um jeito diferente sem cair nas mesmas armadilhas. Estou tentando, depois eu conto se eu consegui. Até lá, rezem por mim.
Ah, o desânimo passou, o que não significa que eu esteja nadando em euforia. Gato escaldado tem medo de água fria e dessa vez eu não estou me permitindo sonhar desvairadamente como antes, se der tudo errado eu já estarei preparada pra mais um fracasso. Se der tudo certo, será uma grata surpresa. Mantenho as esperanças mas com o pé no chão. Continuo com medo de fazer prova na faculdade, continuo com medo de largar/perder outro emprego, contudo, o medo de chegar aos 30 anos obesa, solteira e desempregada está um pouco menor agora. Obesa eu até suporto, mas solteira e desempregada é demais, acho que vou voltar na exposição Índia do CCBB só pra jogar moedas pra Ganesha e pedir um futuro menos sombrio, pobre e mal amado pra mim.
quinta-feira, 8 de março de 2012
A anti-social
Eu estou tão entediada de tudo. Não consigo ficar mais de 5 minutos no Facebook, que tudo me enjoa. As mesmas piadas, as mesmas histórias, o mesmo tudo e nada do que me interessa está lá, se bem que nem eu sei exatamente o que está me interessando agora…
Bem, depois muito procurar finalmente achei um hobbie pra ocupar o vazio que a internet deixou em minha vida nas últimas semanas: voltei a assistir séries de TV. Foram 42 episódios de The Big Bang Theory em 3 dias (acabei a 4 e a 5 temporadas \o/) e hoje assisti toda a primeira temporada de The Walking Dead (a segunda já está sendo providenciada). Isso me deixa feliz por dois motivos: 1) achei algo pra fazer do meu tempo livre e 2) estou voltando a minha velha forma. Antigamente eu acompanhava religiosamente vários seriados, era o que poderia se chamar de nerd, mas depois parei. Fico muito feliz de recuperar essa parte de mim, que fica refletindo sobre como sobreviver a um ataque zumbi. E foram justamente os zumbis que me trouxeram aqui.
Obviamente um seriado que fala sobre o apocalipse zumbi, fala muito sobre morte. Ele é praticamente só sobre morte e sobrevivência, uma vez que zumbis são mortos-vivos e os ainda não mortos estão tentando continuar assim. E o legal disso é ficar se imaginando naquela situação, sentindo uma agonia absurda toda vez que um “andarilho” aparece com fome de carne fresca e se desesperando pra que os personagens consigam sobreviver. Mas, e agora vou contar um meio spoiler, alguns personagens decidem deixar de tentar viver em certo episódio e eu pensei comigo mesmo “por pior que fosse a situação, eu não ia ficar, eu tentaria sobreviver de qualquer maneira, e creio que eu conseguisse”. Eu sou sempre muito otimista e acho que as coisas vão dar certo, e então eu me lembrei. Eu me lembrei, pela primeira vez em muito tempo, que sim, eu vou morrer. Não importa quantas vezes eu engane a morte, não importa, uma hora eu vou morrer. E essa constatação óbvia me pegou em cheio. Eu vou morrer. Quando? pode ser agora, espero que seja daqui a 60 anos, porém, não importa, de um jeito ou de outro, eu vou morrer. Ninguém fala de morte no Facebook.
E não sou eu quem vai puxar o assunto.
Acho que estou tão perdida e ocupada tentando dar um rumo a minha vida enquanto ela ainda existe, que perdeu a graça ficar rindo de imagens engraçadinhas na já mencionada rede social. Eu quero algo mais no momento, estou me sentindo vazia. Não estou criticando ninguém em particular e muito menos no geral, só não estou com humor pro “face” agora e não vejo nenhum problema nisso. Vou continuar nas minha séries, ao menos elas me fazem sentir alguma coisa.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Cartola (1976)
“Cartola”, esse é o nome do CD mais triste que eu ouvi nos últimos tempos (não confundir com outro disco chamado “Cartola” que foi lançado em 1974). Passei a sofrer de amor mesmo sem sofrer de amor, tamanha a sinceridade, poesia e lirismo das canções.
Tudo começa com a faixa inicial: O mundo é um moinho. É uma música sobre uma jovem suicida (“meu bem, mal começaste a conhecer a vida, já anuncias a hora da partida…”), mas ao invés de dar conselhos cheios de esperança, ele crava um refrão triste, beirando a crueldade, de maneira fria e sem medo de machucar:
“Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a póPreste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés”
Isso já da o tom do que vem a seguir.
A próxima música é Minha. Fala de uma mulher que nunca foi dele, de um amor falso, mentiroso, ao contrário do que diziam as cartomantes. É uma das músicas mais animadas.
Depois vem Sala de recepção, interpretada juntamente com a sambista Creusa. Fala sobre a Estação Primeira de Mangueira, escola de samba fundada com ajuda do próprio Cartola, uma comunidade pobre, sem praticamente nenhum recurso financeiro mas que mesmo assim é feliz e vê no carnaval um orgulho.
Em seguida, Não posso viver sem ela e a volta do amor não (ou mal) correspondido. Conta a história de um homem que fez tudo por uma mulher, deu tudo o que ela queria, fez do desejo dela o seu próprio desejo e mesmo assim foi abandonado. Porém, apesar de admitir que a mulher é fingida e só o faz sofrer, ele a perdoa e sonha com o dia em que ela volta pra casa. É um amor capaz de superar até a maldade da outra parte que supostamente também deveria amar.
Preciso me encontrar é a próxima faixa. Começa com uma melodia triste e ao mesmo tempo linda, se a canção toda fosse apenas essa parte, já seria fantástica. Mas Candeia resolveu compor uma letra e Cartola a interpretou belamente. Como diz o nome, é sobre estar perdido e querer se encontrar: “quero assistir ao sol nascer, a água dos rios correr, ouvir os pássaros cantar, eu quero nascer, quero viver”. Quem nunca se sentiu assim que atire a primeira pedra. Crise existencial em forma de samba.
Na sequencia ele manda Peito vazio. Uma poesia em forma de música que canta a saudade, aqui se trata de um amor, mas pra mim se encaixa em qualquer forma de saudade. Triste até não poder mais, traz um fio de esperança ao dizer “com o tempo esta imensa saudade que sinto se esvai”. Apesar de ser difícil, se tivesse que escolher a melhor faixa desse disco, escolheria essa.
Aconteceu, quem ama também tem orgulho. A amada, depois de ir embora e pisar em cima do coraçãozinho apaixonado do pobre rapaz, resolveu pedir pra voltar depois de se dar conta de tudo o que deixou pra traz. E ela ouviu um sonoro não. Adoro essa letra porque tem gente que merece. Amar é lindo, mas amar a si mesmo é essencial.
É hora do grande clássico As rosas não falam. Essa todo mundo conhece, eu acho. Tem uma das letras mais bonitas que eu já vi. Imaginar que um homem que estudou somente até o primário escreveu um negócio desses me faz perceber como eu sou incompetente e mostra o gênio com as palavras que era o Cartola.
A próxima é Sei chorar, como diz o nome, o eu-lírico continua chorando e sofrendo porque a mulher que ama está com outro, enquanto ele ainda tenta se recuperar da separação.
Ensaboa é estranha. Na verdade eu achei engraçada apesar dela falar de pobreza. O ritmo me faz pensar numa vida pacata no interior, simples, mas não simples financeiramente, simples no sentido de pacata, tranquila, onde você não precisa de um Porsche pra ser feliz. Não sei se era a intenção dele ao compor a música, mas é o que ela passa pra mim.
Aí vem Senhora tentação. Essa música me lembra a casa dos meus avós, porque toda vez que a gente vai pra lá o meu pai coloca no rádio um CD que tem ela (mas não com o Cartola, acho que ele põe a versão do Roberto Ribeiro). Ela fala sobre uma pessoa que se apaixonou e está tentando resistir a tentação, porque sabe que se amar aquela mulher irá sofrer. Apesar disso, por me lembrar a minha família, em especial o meu avô que gosta muito dela, eu fico feliz toda vez que a escuto.
Cordas de aço também fala de amor, amor ao violão. Literalmente. Afinal é através do violão que ele põe pra fora toda as suas alegrias e suas tristezas, os seus sonhos, as suas saudades, os seus planos. É pelo violão que ele se expressa e nos expressa.
Depois de escutar tudo isso, só cheguei a uma conclusão: o amor é uma merda. Só traz dor e sofrimento. É uma ilusão que nos deixa surdos, cegos e burros (como fica bem claro em Não posso viver sem ela). E ainda assim é o sentimento mais valorizado pela sociedade, as pessoas são praticamente obrigadas a casar, uma vez que a crença popular é que morrer solteiro é igual a morrer infeliz. Mas como posso eu acreditar que morrer amando é morrer feliz depois de um disco como esse?
De novo, o tempo.
Semana que vem, sexta-feira, faço 19 anos.
No entanto, fazer aniversário dessa vez não me fez pensar tanto no futuro, na verdade trouxe o passado a minha mente. E o passado vai ficando cada vez maior.
Já faz sete anos que eu saí do Rio de Janeiro rumo a Porto Alegre. SETE ANOS. Eu me lembro perfeitamente do dia em que fui embora, da minha família parada na frente da minha casa se despendido mesmo quando já estávamos dentro do carro, da minha mãe chorando, da chuva e do meu pai dizendo que quando nós fomos morar naquela cidade (eu era recém-nascida) também estava chovendo, ele disse com um sorriso nostálgico no rosto: “Itaguaí nos recebeu com chuva e se despediu com chuva.”
Então quatro anos se passaram e chegou a hora de ir embora de Porto Alegre. Também lembro do dia em que fiquei sabendo que íamos nos mudar do sul, de quando contei pros meus amigos, da colega da minha irmã chorando quando nos viu passando de carro na frente do apartamento dela e indo embora. Nesse dia fazia sol e o céu estava azul, sem uma nuvem.
E agora já faz três anos que estou em São Paulo. Estou começando o segundo ano da faculdade. Faculdade parecia uma Eldorado quando eu estava no cursinho e agora estou indo pro segundo ano. Quando foi que o tempo passou que eu não vi?
E o pior (ou melhor) é saber que ainda tem muita coisa pela frente. A minha vida mudou radicalmente nos últimos 10 anos, de uma maneira bem diferente do imaginado por mim, e sabe-se lá o que vai acontecer nos próximos 10 anos. A vida me assusta pela quantidade de passado acumulado (estou ficando velha…) e pela quantidade de futuro me aguardando (ainda sou muito jovem…).
De todos os meus medos, o futuro é o único a me deixar realmente apreensiva. Temo a morte, mas ela é inevitável, basta aceitar. Tenho fobia de cachorro, mas eles estão aí e eu tenho de me acostumar. Agora o futuro, o futuro está nas minhas mãos, na minhas ações, nas minhas decisões, e ao mesmo tempo está a mercê de coisas que simplesmente acontecem, ninguém tem domínio total sobre vida e são justamente as coisas não controláveis que na maioria das vezes nos obrigam a rever os planos.
A maioria das pessoas ao pensar aonde estarão morando daqui a 10 anos imaginam estar pelo menos na mesma cidade onde estão hoje, cultivando as mesmas amizades agora tão importantes e realizando os sonhos de agora. Pra mim isso não é tão óbvio. Eu desejo, mas não sei se comemorarei meu aniversário de 29 anos aqui em São Paulo, não sei se os meus tão estimados amigos ainda estarão perto de mim (uma já está de mudança, inclusive) ou se eu estarei perto deles. Mas eu aprendi que isso não significa um futuro de tristezas, entretanto, significa um futuro cheio de saudades. Só me resta saber de quem, da onde e do que.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Crise de identidade
Esses dias eu estava assistindo o show do Marcelo D2 no Planeta Atlântida e pra variar ele estava defendendo a maconha e aquela coisa toda. E foi aí que me ocorreu que hoje em dia os únicos que questionam a sociedade, que polemizam, que chocam, que demonstram alguma revolta são os rappers, e não mais o rock n’roll.
Quem conhece o mínimo de rock sabe que até uns 15 anos atrás rockeiros eram vistos como rebeldes, arruaceiros, um perigo a sociedade e etc. E movimentos como o punk lá dos anos 70 confirmavam isso. Moicanos, cabelos compridos, tatuagens, piercings, roupas rasgadas eram considerados agressivos e uma forma de se opor ao status quo. As letras, muitas vezes raivosas, abarrotadas de palavrões e críticas a sociedade, e não só no punk, mas no metal, rock progressivo, grunge, post-punk ,hardcore e até no sempre fanfarrão hard rock apareciam canções cheias de agonia, amargura e descontentamento com o andamento das coisas.
E hoje, em 2012? tudo o que eu vejo são letras de amor, cabelos bem cortados e roupas comportadas, enquanto os outrora “símbolos da resistência” estão na cabeça do Neymar, em roupas de grife e no corpo de patricinhas. A rebeldia virou moda e os rebeldes entraram na linha.
É claro que existem bandas no underground que ainda mantêm o espírito contestador de antes, mas eu me refiro especificamente ao mainstream. Se a gente parar pra pensar que um dia bandas como Ramones, Metallica, Black Sabbath e The Clash já estiveram no primeiro lugar das rádios e comparar com o que toca hoje, fica claro o que eu quero dizer. E eu não estou nem me referindo a qualidade das músicas em si, falo apenas da temática. Cadê as letras profundas que nos deixam pensando horas depois de a música acabar, não em um amor perdido, mas na própria vida? cadê o espírito questionador, a rebeldia do rock? parece que ficou de herança pro rap, que é o único estilo que ainda debate as mazelas da sociedade e não apenas as do coração. E mesmo quando se trata do coração, é como se a única agonia possível fosse o amor. O ser humano é muito mais complexo que isso, se preocupa com o futuro, com dinheiro, com a existência de Deus, com a morte, com as pressões do dia-a-dia entre muitas outras coisas que eu poderia passar dias citando, mas parece que os compositores atuais se esqueceram disso. E eu nem vou falar dos solos de guitarra desaparecidos, a impressão que eu tenho é que a geração atual desistiu de estudar música e ficou só no básico, mas não foi o básico do punk que tinha a ideia do faça você mesmo por trás, é um básico de “tenho preguiça de estudar” mesmo.
Já o rap nasceu como forma de contestação do preconceito contra os negros e pra dar voz a uma sociedade oprimida, e se manteve desse jeito. Concordando ou não com suas opiniões é preciso admitir que pelo menos eles têm uma opinião e muitos sabem expo-la magistralmente. É óbvio que existem aqueles que só falam de carro de mulher, mas eles convivem com o rap engajado, assim como o rock está cheio de bandas que só falavam de drogas e mulher, mas nem por isso deixaram de existir bandas politizadas.
O pop sempre foi fútil (o que não quer dizer que seja ruim) e continua sendo. O soul continua falando, bem, da alma. E o rock se perdeu no meio do caminho, espero que essa crise de identidade passe logo.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
MPB
Hoje eu me deparei com um artigo no Estadão falando sobre Caetano e Chico Buarque. “Interessante”, pensei. Cliquei no título e li o primeiro paragrafo:
“Muito tem se discutido sobre uma possível crise da canção e da própria música popular brasileira, mas penso ser esta uma avaliação apressada e o erro está na observação do problema. A música brasileira tem se renovado não mais somente pela composição, mas principalmente por meio de uma experiência coletiva nova que se dá através do acesso facilitado à tecnologia de gravação. É pelo som que a música brasileira está se transformando. Através dos trabalhos mais recentes de Chico Buarque e Caetano Veloso, vou tentar identificar traços dessa renovação e o modo como cada um vem lidando com esse problema.”
Epa, epa, epa, epa! Como assim? O colunista quer falar da renovação da música brasileira e cita como exemplo Chico e Caetano? Gosto muito do Chico Buarque e sou apaixonada pelo Caetano (nos últimos dias só deu ele no meu MP3, inclusive), mas os dois já tem mais de 40 anos de carreira(!). Por mais que a música deles esteja evoluindo, e isso é normal, principalmente quando se fala de pessoas com o talento que eles tem, renovação da música brasileira é outra coisa.
“Renovar”, segundo uma das definições do dicionário, significa “1. Tornar novo; melhorar.”, e na minha concepção, se você aplicar isso a música, estaremos falando de novos sons, novas vozes, novos músicos e não de mais do mesmo. Por mais que o Brasil tenha um passado glorioso quando o assunto é arte, é preciso olhar pra frente. Como já cantava Elis Regina em Como nossos pais: o novo sempre vem. E parece que os intelectuais e críticos não conseguem perceber isso.
E eu não estou julgando a coluna em si e muito menos comparando os talentos de 1970 com os de 2012, o que eu não concordo é que passemos 40 anos seguidos esperando que uma mesma meia dúzia de artistas seja responsável por tudo o que aconteça de bom no cenário musical brasileiro. E muito menos que somente essa mesma meia dúzia seja valorizada.
Por mais que nenhum dos “novos” nomes nacionais tenha criado nada de completamente novo e original, Chico e Caetano também não criaram em seus últimos CDs, então porque eles são responsáveis pela tal renovação musical? Faça-me o favor, vamos evoluir, vamos abrir a mente, os olhos e os ouvidos e parar de achar que só os clássicos valem a pena. Tudo bem que quem não conhece o passado, não entende o presente, mas se você não viver o presente, como terá um futuro?
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Os Paralamas
Dia 25 de janeiro foi aniversário da cidade de São Paulo e pra comemorar tiveram vários shows gratuitos pela cidade, infelizmente eu perdi o Ney Matogrosso na Praça da República, mas vi os Paralamas do Sucesso no Parque da Juventude (já to enjoando de tanto citar esse parque aqui…)
Eles tocaram todas, todas, TODAS. Pense em um grande sucesso, eles tocaram. Isso significa que o show foi realmente muito bom, porém, ao contrário do Marcelo Camelo, o Herbert Viana não é tão gente boa a ponto de sair pra falar com os fãs e passou pela gente já dentro do carro e com vidro fechado, dando um tchauzinho sem graça (tudo bem que eu não estava lá na hora, mas tenho certeza que o tchau foi sem graça pela frustação de quem estava lá esperando pra tirar uma foto com ele).
Mas mudando de assunto, isso me lembra que eu já vi praticamente todas as grandes bandas ainda existentes dos anos 80: Paralamas, Titãs, Frejat, Blitz e RPM. Só falta o Capital Inicial, mas eu não gosto deles, então tanto faz… E o melhor é que todos esses shows foram de graça (até porque eu jamais pagaria pra ver RPM, Blitz e Frejat). E em maio tem Virada Cultural, ou seja, mais uma porrada de shows legais pra ver.
É por isso que eu gosto de São Paulo, essa cidade sempre me brinda com algo gratuito pra fazer. “Nossa, uma carioca falando bem de SP?!?!” pois é, falo bem mesmo, adoro esse lugar e só pretendo sair daqui quando eu estiver podre de rica (aí me mudarei pra Barra, no RJ), aliás, se bobear nem rica eu vou embora, não suporto o calor do Rio, prefiro as chuvas constantes e alagantes, a poluição e o frio fora de época de São Paulo.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
O Camelo
Não me lembro por qual motivo, mas teve um show de graça do Marcelo Camelo no Parque da Juventude. Admito que eu não conhecia praticamente nada da carreira dele, nem solo, nem nos Los Hermanos (apesar de gostar de uma música ou outra). Só sabia que ele era carioca, barbudo e namora a Mallu Magalhães, porém, tenho algumas amigas que são apaixonadamente fãs dele e resolvi ir no show e convida-las. E não é que foi bem legal?
Eu descobri que ele tem músicas bem bonitinhas/divertidas/deprimentes/legais e acabei me viciando nele um tempo depois. Não posso dizer que sou fã, mas se fosse no show hoje saberia cantar bem mais músicas do que dessa vez…
Ficamos bem próximas do palco durante o show, mas o melhor foi antes: ele cantou pra T. na Biblioteca antes de eu chegar e depois tropeçou na gente atrás do palco, além de ficar alguns minutos fumando na chuva (!) a alguns poucos metros de distância de nós. Acho que está pra nascer uma “celebridade” tão simples e humilde como ele, quem via pensava que era só mais um dos mendigos que frequentam a Biblioteca do Parque da Juventude.
E no final do show ainda rolou uma distribuição de samambaias, não me pergunte o porque…
O Protesto
Em uma tarde do final do ano passado fomos eu, a outra T. e L. comemorar o fim das aulas dando um passeio na Av. Paulista, quando do nada começou um protesto no já manjado vão do MASP.
Quem acompanha os jornais deve se lembrar da ocupação da reitoria da USP no ano passado contra a presença da PM no campus mas esse protesto em especial foi por melhorias na educação brasileira. Sabe-se lá porque não recebeu nem 10% da cobertura que a ocupação da reitoria teve por parte da imprensa…
Mas também tinha um quê de anti-PM por lá, com gritos de guerra contra a repressão e pela liberdade de expressão.
O pessoal chegou a fechar a rua por alguns instantes mas logo desistiram, assim que os helicópteros da imprensa chegaram assim como vários repórteres, mas acabou nem tendo a repercussão que todos esperavam.
Entre os presentes, tinha gente com camisas a favor da anarquia, do comunismo, do socialismo, bandeiras do PSTU, PSOL e todos os partidos de “extrema esquerda” que existem no Brasil e, claro, alguém com a mascara do V de Vingança. Que protesto, por qualquer coisa, hoje em dia não tem alguém com essa máscara? do nada virou moda e olha que o filme já foi lançado faz um tempo…
Com meses de atraso eu irei dar a minha opinião sobre a ocupação da reitoria: uma tremenda babaquice. Nessa mesma época eu fui até o campus da USP para assistir uma palestra e é incrível a falta de segurança daquele lugar, é simplesmente absurdo não querer a polícia lá dentro, estudar a noite ali deve ser aterrorizante. E esse papo de que eles reprimem a liberdade de expressão dos estudantes, pelo amor de Deus, a impressão que eu tenho é que eles invejam quem viveu na época da ditadura, quando os “revolucionários” desse país vão entender que o tempo passou e que eles devem lutar pelo que realmente interessa? o Brasil ainda tem inúmeros problemas e absurdos para erradicar e, enquanto isso, a suposta elite intelectual do país está preocupada em se fazer de vítima na televisão. Deprimente.
O recomeço.
Desde outubro passado que eu não passo por aqui, eu poderia inventar um monte de motivos mas a verdade é que eu estava sem vontade, com preguiça, sem ânimo. Manter um blog da muito trabalho, no entanto, resolvi voltar temporariamente.
De outubro pra cá, várias coisas dignas de post aconteceram: caí num protesto da USP no meio da Av. Paulista, fui em shows do Marcelo Camelo e do Paralamas do Sucesso, em uma exposição genial no Instituto Tomie Ohtake, arrumei e perdi um emprego, tive um semestre cheio de emoções na faculdade, fiz um curso de férias, ajudei a fundar uma empresa, resolvi mudar de vida, entrei e saí da depressão muitas vezes, vi filmes muito legais, descobri novas músicas e novos músicos, enfim, assunto não faltou e eu pretendia ignorar todos eles, mas resolvi fazer um resumão dos melhores momentos só pra aproveitar as várias fotos que eu tirei.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
O fim.
Hoje eu descobri que estou na última encarnação. Segundo os “especialistas”, peixes, o meu signo, é o da última reencarnação, quem está nele não encarna mais. Depois de 11 vidas passeando pelo mundo, chegou a última, chegou a vez de se despedir e ir embora.
Eu nunca fui mística e nunca acreditei em signos, nem mesmo quando eu era criança. Sempre fui muito incrédula a respeito de tudo e continuo não acreditando no poder dos astros de influenciar a minha vida e personalidade, no entanto, essa história de última encarnação mexeu comigo.
A visão racional e materialista da vida diz que nós só temos uma e devemos aproveitá-la ao máximo, porque depois da morte não vem nem inferno nem paraíso, vem o fim eterno. Eu já estou mais do que acostumada com essa visão e concordo que devemos valorizar essa existência, afinal ninguém garante que teremos outras, isso não me incomoda em nada. Porém, saber que mesmo na visão mística e espiritual da vida eu não terei outra chance de voltar é um pouco… angustiante.
Eu posso optar tanto pelo ateísmo quanto pelo misticismo que estarei no fim, é a minha última oportunidade de viver como eu realmente quero. Isso liberta e ao mesmo tempo assusta.
De certa forma eu sempre fui meio “anárquica”, quando criança eu jogava futebol na rua com os meninos mesmo sabendo que o resto do bairro me achava lésbica por isso. Na escola eu matei um milhão de aulas que não me interessavam e nunca faltei nas que gostava. Há dois meses eu larguei meu emprego – de uma forma um tanto quanto dramática - porque não gostava do que eu fazia. Mas eu seria hipócrita se dissesse que não me arrependo de nada, como já falei nesse blog algumas vezes, eu me arrependo muito de não ter dito a algumas pessoas o valor que elas têm ou de ter fugido de alguma situação por covardia. E justamente por isso, a cada dia, eu reforço mais em mim o pensamento de que não há nada no mundo que tenha o valor do meu tempo. Não tem dinheiro que compre uma tarde de sábado ou imagem a zelar que valha abrir mão de fazer o que gosto.
Tudo isso pode parecer meio hedonista e individualista e é mesmo. Claro que eu me preocupo com o futuro da humanidade e com os diversos problemas do mundo, mas no âmbito pessoal eu me preocupo com a minha vida e a cada dia tento diminuir um pouco mais a preocupação que eu tenho com a opinião dos outros, preocupação essa que não me impede de fazer o que quero mas as vezes faz sofrer.
E isso tudo me faz lembrar do Steve Jobs. Não, eu nunca fui fã dele e nem tenho nenhum produto da Apple. O que eu sabia de sua vida era apenas que ele fundou a Apple e tinha pais adotivos. E quando ele morreu eu achei chato, mas nada que tenha me abalado emocionalmente, entretanto, teve uma coisa que me chamou a atenção: a paz com que ele aparenta ter ido embora. Lendo seus discursos, ele parecia encarar a morte de uma maneira realista e de ter aceitado numa boa que uma hora teria de partir. Ele viveu, fez o que tinha de fazer e foi embora tranquilamente. Como eu vi em um filme ontem, a vida é uma montanha-russa e nós podemos aproveitar a viagem, ou nos desesperar a cada descida. O Steve Jobs parece ter aproveitado a viagem dele, eu quero aproveitar a minha. Afinal, com ou sem esoterismo, essa é a minha última volta.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Vai trabalhar, vagabundo!
Tem coisas que a gente até entende a parte teórica mas só sabe exatamente como é quando passa por isso na pele. Tem uma música do Chico Buarque que diz:
“Tenta pensar no futuro
No escuro tenta pensar
Vai renovar teu seguro
Vai caducar
Vai te entregar
Vai te estragar
Vai trabalhar”
Eu sempre entendi que ele queria dizer que o indivíduo que trabalha não tem tempo pra pensar de verdade e por isso o Brasil vive nessa mediocridade eterna. No entanto, só depois que eu trabalhei – por pouco tempo, mas trabalhei – é que pude entender e formar uma opinião melhor sobre isso.
É claro que o trabalho “mecânico”, repetitivo (lembre-se das aulas de sociologia aonde o professor passava a exaustão a cena de Charles Chaplin sendo engolido pela máquina em "Tempos Modernos”), deixa a pessoa com a cabeça tão cheia que refletir sobre a filosofia da estrutura pedagógica e social do ensino base brasileiro fica fora de questão, mas dizer que o trabalho e a revolução industrial é a única responsável por todos os nossos problemas é um exagero (e eu tenho certeza que o Chico sabe disso). É uma mistura de tudo. Educação ruim, falta de estrutura financeira e familiar (quantas pessoas “sem pai” ou com famílias problemáticas você conhece?), e trabalhos emburrecedores contribuem em conjunto para a situação atual não só dos brasileiros, mas do mundo, culpar só a estrutura escravagista trabalhista é besteira, porém, ao viver novamente no ócio, não tem como eu negar que cabeça vazia é oficina do diabo todo este tempo livre me faz refletir sobre tudo e mais um pouco – das maiores besteiras às grandes questões da humanidade. Em apenas três dias eu já criei preocupações inúteis, escrevi algumas vezes neste blog, enfim, coisas que só a disponibilidade pode trazer. É por isso que muitos dos grandes artistas e pensadores eram “vagabundos” – não que eu esteja me comparando a nenhuma deles, óbvio – pois só o tempo livre é capaz de fazer alguém criar alguma obra prima, ou a fazer uma grande besteira. Aí depende do nível de QI e do caráter do inútil em questão.
'”Então você vai abrir mão da vida trabalhista pra ficar atoa em casa?” Não, eu gostei de trabalhar, só não gostei do trabalho que eu fazia. Na verdade, o que deixa a pessoa meio não-pensante não é nem o ato de trabalhar, e sim o exercício diário de paciência para sobreviver a um emprego insuportável e totalmente insatisfatório. O estresse causado é tão grande que paralisa. Mas quem ama o que faz, esses continuam produtivos pois criam encima dele, dão o seu melhor, se sentem completos por fazer o que fazem. O que caduca e estraga o homem não é o esforço físico e nem o intelectual, e sim o esforço mental de passar a vida esperando a sexta-feira chegar.
domingo, 28 de agosto de 2011
País rico é país sem pobreza!
Uma das frases mais esculhambadas da atual presidentE do Brasil é: “País rico é país sem pobreza”. Devido a aparente obviedade da coisa, todo mundo adora bater na inteligência da Dilma usando essa frase como prova de sua duvidosa capacidade intelectual. Eu, nem de longe, sou fã dela, mas sou obrigada a admitir que, por mais que pareça, essa frase não é tão redundante assim – ela já disse coisa muito pior.
“Mas Gabriela, é óbvio e ululante que um lugar rico não tem pobreza!” É aí que você se engana, jovem Padawan. Um bom exemplo de que, economicamente falando, essa não é uma relação verdadeira, é a China.
A China é o segundo país mais rico do mundo. Alguém realmente acha que lá é uma região sem pobreza? que todos os chineses ganham salários absurdos e vivem que nem marajás?
Os EUA também são um bom exemplo. Apesar de a população em geral ter um poder aquisitivo alto em relação ao Brasil, dizer que quem habita os guetos de Nova York é rico é forçar um pouco a barra.
Atualmente muitas das listas dos países mais ricos do mundo leva em consideração o PIB per capita, que é a riqueza total do país dividida pela população. A medida parece ótima, no entanto, ela não avalia a desigualdade social. Muitos países árabes tem um PIB obsceno graças a produção de petróleo e uma população minúscula, o que os deixa em ótimas posições nos rankings de riqueza global, o que ninguém leva em conta é que esse dinheiro fica todo nas mãos dos reis e sheiks enquanto a população mal tem o que comer. Enquanto isso, a Noruega, que tem um dos melhores índices de qualidade de vida e igualdade social do mundo não está nem no Top 20 mais ricos.
Acho que já deu pra perceber que quando a Dilma diz que país rico é país sem pobreza, ela não se refere apenas a um PIB absurdo e sim a um país onde todo mundo tenha acesso a uma fatia considerável do bolo, mesmo que ele não seja o maior do mundo. Ela se refere a uma riqueza norueguesa e não chinesa. Cabe a nós decidir, através do voto e do nosso próprio esforço (levantar a bunda da cadeira pra estudar e trabalhar é o mínimo que podemos fazer) decidir qual caminho vamos seguir. Espero que seja o norueguês.
Planeta dos macacos
Antes de demitir o trabalho da minha vida, eu passava o tempo entre o início do expediente e o fim das aulas no parque da Água Branca. Um dos lugares mais legais de São Paulo e que, antes de conhecer, eu não esperava que existisse. Se trata de um parque cheio de galinhas, pavões, patos, peixes e toda fauna e flora que se puder imaginar encrustado no meio de uma avenida super movimentada, um shopping, 2 agências bancárias, um hipermercado, um museu e o maior campus particular universitário da América Latina (eu disse o maior, não o melhor). E na última vez em que fui lá eu vi nada mais, nada menos, que dois macacos pregos – pelo menos eu acho que eram macacos pregos.
Bonitinhos né? Pena que eu não consegui tirar uma foto de “rosto”.
Mas o parque da Água Branca teve uma função vital em minha vida (além de surrealizar o meu dia com a presença de macacos): eu perdi o meu medo de galinhas. Sim, eu morria de medo de galinhas, mesmo tendo passado parte da infância perto delas, e agora eu consigo até dar Ruffles de yakissoba pra elas (só tive que ignorar a placa de “não alimente os animais” que estava bem na minha frente). Não que perder o medo de galinhas seja algo de extrema importância para a minha sobrevivência, mas pelo menos eu posso dizer que já superei um grande trauma.
sábado, 27 de agosto de 2011
Te demito da minha vida!
Pois é, hoje eu decidi que é a hora de demitir a empresa na qual eu trabalho da minha vida. Vou pedir pra sair. This is the end, my friend.
Foi bom enquanto durou, comprei tudo o que eu precisava, comi tudo o que eu queria, ganhei experiência de vida e me sinto uma pessoa melhor agora. Tudo bem que o final poderia ter sido mais digno, sair de lá de uma hora pra outra a ponto de ter um surto não pegou bem, mas foda-se, ao invés de passar o dia trancada em uma sala, eu roubei T. de seu simulado e fomos comer uma bomba gigante de chocolate e beber uma Heineken (aqui cabe a observação que essa foi a primeira vez em que ela tomou cerveja na vida!). To me sentindo mais leve, mais feliz, mais pobre… dinheiro pra que? não vale a pena perder momentos preciosos da vida (e minha saúde) me estressando sem necessidade. É, eu disse sem necessidade. Sou solteira, sem filhos, moro com meus pais e graças a muito esforço e trabalho meu pai ganha o suficiente pra sustentar todo mundo, não somos ricos mas não estou passando fome.
Vou voltar a ser vagal, viverei de vento e luz, e um dia eu volto a trabalhar. Por enquanto, o capitalismo está fora da minha rotina. Por enquanto.
domingo, 31 de julho de 2011
Pra não dizer que não falei das flores…
Certa vez eu escrevi em algum lugar que estou sempre com uma quedinha por alguém, e isso é verdade, vira e mexe eu acho um ser “casável” andando por aí.
Também já confessei a T. que, apesar de nunca ter me apaixonado perdidamente por alguém, paixonites fazem parte da minha realidade. Vira e mexe eu acho um ser mais “casável” do que a média.
Mas dessa vez é diferente. Dessa vez eu não preciso mudar, ou fingir, ou sonhar pra achar que tenho uma chance. Eu fui simplesmente eu e foi o suficiente. Como eu disse a T., ele sou eu de calças. Eu entendo as referências, as citações, as piadinhas, porque elas fazem parte do meu dia-a-dia. Podemos ser amigos para o resto da vida.
Claro que as paixonites e quedinhas continuam, só no meu trabalho tem dois altamente interessantes. No entanto, eles são só diversão. Com o outro é mais sério porque é possível. E foi espontâneo, ninguém precisou me dizer ou insinuar que nós nos daríamos bem juntos pra que eu chegasse a essa conclusão, não foi induzido, foi natural.
Eu tenho a sensação de que podemos conversar horas e horas e horas sem parar. Mas tenho medo de me empolgar demais e acabar misturando as coisas.
É estranho, tenho que esperar pra ver o que acontece. A pressa é inimiga da razão e me jogar num mar de falsos sentimentos não vai me servir pra nada e talvez me faça perder uma possível grande amizade. De novo.
Ah, mas como eu quero…
The lunatic is in my head.
Pink Floyd é tão bom que me emociona. Eu estava ouvindo o Dark Side of the Moon e é incrível pensar que seres humanos criaram aquilo, que fomos tão longe.
Pare e escute este álbum com atenção, perceba o clima, a magia, por trás dele. Os teclados do Rick Wright dão um tom único, que eu nunca mais achei em álbum nenhum. Um clima quase circense, que leva a alma pra longe, faz viajar, flutuar, é uma sensação tão única quanto indescritível o que esse CD faz comigo.
Não é um álbum que eu escuto todo dia, a qualquer hora, porque ele não é apenas um conjunto de músicas legais, ele é todo um momento de 42 minutos e 30 segundos que merece ser vivido com atenção. A dor, o desespero, a loucura nele contida é um soco no estômago.
Eu tive um professor de literatura que dizia que quem não conhecia Florbela Espanca ainda não viveu. E eu digo que quem nunca ouviu The Dark Side of the Moon ainda não sabe o que é viver. Porque isso é genial, isso foi um grupo de caras indo além, se superando e criando algo que nem eles mesmo deviam imaginar o quão grande é.
A sequência Time/The Great Gig in the Sky é de uma sensibilidade gigante e ao mesmo tempo é um grito (literalmente) de socorro. Enquanto na primeira música se constata todo o tempo e a vida jogada fora por nada, na segunda isso tudo explode, é como se o personagem principal entrasse em surto ao perceber o vazio de tudo o que vive e tentasse colocar isso pra fora gritando, berrando, se libertando. E aí vem o dinheiro, o mesmo dinheiro que me deixa feliz por ter uma caneca do Calvin e que destrói nações inteiras. O dinheiro que move a sociedade. E tudo isso eclode em Any Colour You Like e vai desembocar em Brain Damage/Eclipse, ou seja, na loucura, na esquizofrenia, na alienação da mente em relação a realidade. Seria esse o nosso futuro? se desligar da realidade pra não ver o absurdo que ela é? Não sei, mas dói pensar que vivo em um mundo assim. Dói pensar na minha própria vida porque me faz pensar no meu futuro e eu tenho medo dele. Medo de me tornar tudo o que não quero pelas “obrigações” da vida, de postergar os meus sonhos por causa de trabalho, filhos, casamento e acabar não vivendo. E então é hora de ouvir Time de novo.
É um luxo meu amor!
Esses dias eu estava pensando: como eu fico feliz com pequenas bobagens (ou pequenos luxos).
Tem duas coisas que me deixam feliz pelo simples fato de que eu as possuo, e não é um carro 0km ou um colar de diamante, é a minha caneca do Calvin & Haroldo e o meu cartão de memória de 8 GB. Como é bom ter uma caneca do Calvin e um cartão de 8 GB!
Eu me sinto bem só de pensar nesses dois objetos. Só de imaginar que eu posso colocar trocentos CDs no meu celular sem me preocupar com a memória meu dia se alegra. E pensar nisso bebendo qualquer coisa na minha caneca deixa tudo ainda mais bonito.
Parece besteira, eu sei. Parece materialismo, eu sei. Mas eu tenho um apego desgraçado a esses dois objetos. T. sabe o quanto eu sou fã de Calvin & Haroldo e ter um pedacinho deles comigo me faz bem, apesar de eu já ter a caneca a um bom tempo, ainda fico toda boba ao olhar pra ela e ver como é linda, sem contar que eu sonho em ter algo deles há tempos e ela é a realização desse sonho. Eu tenho orgulho dela! (Comunistas entram em desespero após constatar o meu grau de apego a um simples bem material neste momento).
E o cartão de memória me faz feliz porque ele carrega outras coisas que me fazem feliz: minhas músicas! minhas amadas músicas! Nem preciso explicar porque gosto tanto dele.
E esses são os meus dois grandes pequenos luxos. As duas besteiras que fazem o meu dia mais ensolarado. Por mais que eu seja contra qualquer tipo de apego a objetos e marcas, um pouquinho de materialismo não faz mal a ninguém.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Freud explica?
Esses dias eu vi “Na natureza selvagem”, um filmaço dirigido pelo Sean Pean e estrelado por Emile Hirsch.
Ele conta a história de Christopher McCandless, um garoto que após se formar na faculdade larga tudo para ir em uma viagem rumo ao Alaska. Ele vai sem dinheiro, sem mapa e sem planos, apenas com vontade de se isolar do mundo e conhecer a si próprio.
O filme é cheio de frases filosóficas sobre a vida, a sociedade, o sistema. Sobre como as pessoas mentem, mudam por dinheiro, vivem farsas só para parecem bem para os vizinhos.
E isso me lembra da novela O Astro, onde o personagem filho de Salomão Hayala, um empresário podre de rico, fez um belo discurso sobre tudo o que eu disse acima e também saiu de casa para viver uma vida mais simples, com felicidades verdadeiras, não sujeitas a quanto dinheiro ele tem no bolso.
E essas duas histórias tem algo mais em comum: ambos os personagens se sentem maltratados pelos pais. Sentem falta de carinho, de atenção. Presenciaram brigas na infância, o pai maltratando a mãe, que ora batia de volta, ora se deixava subjugar pelo esposo. Ambos tinham muito dinheiro e tudo para se tornarem grandes empresários e levarem a vida dos sonhos de todo mundo, mas preferiram abrir mão disso tudo por algo maior: a verdade.
Muitas histórias de rebeldia existem por aí, principalmente no mundo da arte. E quantos músicos, escritores, artistas plásticos, filósofos e revolucionários não tiveram uma juventude conturbada?
E tudo isso me levar a pensar o seguinte: no final das contas, é tudo culpa dos nossos pais? A rebeldia dos dois personagens que citei não era contra o “sistema”, o “capitalismo” ou a “sociedade”, como eles dizem ser. A rebeldia deles nasceu do sentimento de rejeição de seus pais, da raiva pelo comportamento agressivo, frio, de quem os devia proteger e cuidar. E esse padrão se repete em várias histórias de pessoas que largaram tudo para viver de uma maneira diferente.
Uns não tiveram pai, e se sentem abandonados, outros foram abusados, agredidos, mal amados.
Então qual é a realidade dessa pose revolucionária, se, na verdade, se trata apenas de uma questão particular, de amor paterno? será que Christopher McCandless teria saído de casa se tivesse uma família bem estruturada? será que Janis Joplin cantaria com a emoção que cantou se tivesse recebido a atenção que queria de seus pais? será que Salvador Dalí seria tão “excêntrico” se não tivesse passado toda a sua infância sendo comparado a um irmão, de mesmo nome, morto antes dele nascer? Ou será que todas essas pessoas já nasceram com algo dentro delas, que , independentemente do tratamento que tivessem, uma hora teriam saído do ninho para se jogar no mundo? Difícil dizer.
Certa vez estava conversando com T. e ela disse que achava que seus pais a haviam influenciado muito pouco. Eu não a conheci na infância e não tenho como saber. E também acho muito simplista resumir tudo o que somos na vida a problemas na infância. Mas acho que a influencia desses eventos pode ser muito maior do que eu costumava imaginar.
